Recentemente, um surto de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius resultou em três mortes e 11 casos confirmados, evidenciando a recorrência de surtos em viagens desse tipo. A concentração de pessoas em um espaço limitado por períodos prolongados facilita a introdução e disseminação de doenças.
A infectologista Naira Bicudo, do Hospital Santa Lúcia Norte, explica que a alta densidade populacional e a permanência em ambientes fechados, como restaurantes e teatros, favorecem a transmissão de patógenos.
Esses locais têm ventilação limitada e tempo prolongado de exposição, o que facilita a transmissão por gotículas e contato com superfícies
, afirma.
Além disso, áreas de lazer aquáticas podem ser um risco, pois facilitam a transmissão de microrganismos que causam infecções gastrointestinais.
Entre as doenças mais comuns em surtos em cruzeiros está o norovírus, que causa vômitos e diarreia. O infectologista Alexandre Cunha, do Sírio-Libanês, ressalta que esse patógeno se espalha com facilidade, sendo a principal causa de surtos nesse ambiente.
Outras infecções, como Covid-19 e influenza, também são frequentes, favorecidas pelo contato próximo entre passageiros. Medidas de prevenção incluem evitar o embarque de pessoas com sintomas e manter a higiene das mãos e dos ambientes.
O infectologista André Bon, do Hospital Brasília, destaca a importância da vacinação e da avaliação médica antes da viagem, além de cuidados durante o cruzeiro, como evitar contato com pessoas doentes.
Os surtos em cruzeiros também ajudam a ciência a entender melhor a disseminação de doenças, funcionando como um modelo para observar a dinâmica de transmissão. Naira enfatiza que esses cenários contribuem para o entendimento de surtos como o da gripe H1N1 e da Covid-19.