O governo do Reino Unido confirmou, nesta quarta-feira, a assinatura de um acordo comercial com o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), com um valor estimado em aproximadamente US$ 5 bilhões por ano a longo prazo. O tratado tem como objetivo aprofundar as relações econômicas de Londres com seus aliados na região, que inclui Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O acordo foi anunciado em um contexto de crescente tensão na região, especialmente após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que afetaram o fornecimento de energia e alimentos. O ministro do comércio britânico, Peter Kyle, destacou que o acordo representa um sinal de confiança para os exportadores do Reino Unido, proporcionando a certeza necessária para o planejamento futuro.
O governo britânico informou que o valor do acordo superou a estimativa anterior de 1,6 bilhão de libras, com um aumento significativo nas liberalizações comerciais e compromissos no setor de serviços. O tratado prevê a eliminação de 93% das tarifas do CCG sobre produtos britânicos, o que representa cerca de 580 milhões de libras em taxas ao longo de uma década, com a expectativa de que dois terços dessas tarifas sejam removidas assim que o acordo entrar em vigor.
Os setores automotivo, aeroespacial, eletrônico e de alimentos e bebidas são esperados como os mais beneficiados, com produtos como cereais, queijo cheddar, chocolate e manteiga isentos de tarifas. Em contrapartida, o Reino Unido também reduziu tarifas para os países do CCG, embora as principais exportações desses parceiros, como petróleo e gás, já sejam isentas.
Na área de serviços, o Reino Unido manteve as regras atuais de acesso ao mercado do CCG, permitindo que as empresas continuem a expandir sem novas barreiras. O acordo, no entanto, não altera os padrões britânicos de proteção ambiental ou de dados e não menciona direitos humanos, o que gerou críticas de ativistas. Tom Wills, do Trade Justice Movement, afirmou que a ausência de proteções de direitos humanos representa um retrocesso moral.
Além disso, o acordo inclui regras de proteção ao investidor que se aplicam a três países do CCG que anteriormente não eram contemplados, e prevê um mecanismo que permite que investidores acionem o governo britânico na Justiça, um ponto que também foi criticado por especialistas.