O presidente da Anvisa, Leandro Safatle, enfatizou a relevância do acesso seguro às canetas emagrecedoras, ressaltando a necessidade de proteger a saúde dos pacientes. Recentemente, a agência implementou restrições em relação a medicamentos sem registro, especialmente provenientes do Paraguai e de farmácias de manipulação.
Safatle, que lidera a Anvisa desde setembro do ano passado, afirmou que as medidas são resultado de uma colaboração com a Polícia Federal, que tem identificado produtos falsificados e de qualidade inferior.
A Anvisa fez mais inspeções neste ano do que em 2025 inteiro — declarou.
As ações da Anvisa visam regular um mercado paralelo de medicamentos, incluindo marcas como Ozempic e Mounjaro. O órgão está atento ao crescente consumo promovido nas redes sociais, onde esses produtos são frequentemente apresentados como soluções estéticas.
A Anvisa planeja endurecer as regras para a venda de emagrecedores em farmácias de manipulação, uma vez que muitos estabelecimentos não seguem os padrões sanitários adequados. A agência também passará a exigir o Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) dos fabricantes dos insumos utilizados.
As novas diretrizes serão discutidas em uma votação programada para o final de abril. A intensificação das fiscalizações ocorreu após uma operação da Polícia Federal em novembro de 2025, que resultou na apreensão de diversos produtos e na interdição de mais de 1,3 milhão de unidades de emagrecedores.
Entidades médicas têm solicitado a proibição total da venda de canetas em farmácias de manipulação, enquanto a indústria defende uma revisão das normas, argumentando que as apreensões têm um impacto limitado. A Anvisa, por sua vez, reafirma que a legislação permite a produção de medicamentos em farmácias, mas busca aprimorar as regras para garantir a segurança.
Além disso, a Anvisa proibiu a venda de dois emagrecedores do Paraguai e está restringindo a importação de produtos sem registro. Safatle mencionou que a agência firmou um acordo com a agência sanitária paraguaia para fortalecer as fiscalizações.
A Anvisa também está colaborando com conselhos de Medicina, Odontologia e Farmácia para promover o uso seguro das canetas, que são agonistas de GLP-1, indicados para tratamento de obesidade e diabetes. O uso inadequado desses medicamentos levanta preocupações entre profissionais de saúde.
Safatle destacou que a Anvisa busca aumentar a oferta de medicamentos registrados, avaliando 16 produtos que contêm semaglutida, que recentemente perdeu a patente. A agência está comprometida em garantir que os produtos disponíveis sejam seguros, eficazes e de qualidade.