O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, abordou a necessidade de proteger a soberania do Brasil em resposta à pressão do governo Trump para que facções criminosas brasileiras sejam rotuladas como organizações narcoterroristas. Durante uma coletiva de imprensa em Brasília, Múcio afirmou que o Brasil é uma 'ilha de felicidade' e que é fundamental avaliar se essa pressão é apenas retórica.
Múcio ressaltou que o governo federal está preparado para lidar com a situação, afirmando que, apesar das notícias alarmantes, o Brasil continua sendo um dos melhores países do mundo. A pressão dos Estados Unidos visa classificar grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas, uma proposta que encontra resistência no Palácio do Planalto e críticas de especialistas.
O governo brasileiro argumenta que essa classificação poderia abrir espaço para uma intervenção militar estrangeira sob a justificativa de combate ao terrorismo. Segundo as definições legais, facções como PCC e CV são motivadas por lucro, não por ideologia política ou religiosa, o que as exclui da categoria de organizações terroristas.
Além disso, Múcio criticou a guerra entre Estados Unidos e Irã, afirmando que o aumento no preço do petróleo afeta negativamente todos. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, apoiou a visão de Múcio e destacou a importância da trégua entre os dois países como um passo para a redução de tensões.
Em relação ao futuro político, Alckmin comentou sobre a possibilidade de concorrer ao Senado por São Paulo, afirmando que sua decisão depende de outros fatores. Na mesma coletiva, Múcio apresentou um catálogo estratégico de produtos de defesa, que visa ampliar as oportunidades de negócios internacionais para a indústria nacional.
O catálogo inclui informações sobre 154 empresas e 364 produtos, como embarcações e sistemas de monitoramento, e reflete o crescimento do setor, que alcançou um recorde histórico de 3,4 bilhões de dólares em exportações em 2025.