A cúpula do PT optou por retirar da pauta do encontro do partido, programado para este fim de semana, assuntos polêmicos que poderiam prejudicar a imagem do presidente Lula em um momento crucial da pré-campanha. A proposta foi formalizada pelo presidente do PT, Edinho Silva, que anunciou a divisão da pauta, adiando para abril de 2027 discussões que poderiam gerar divisões entre os filiados, como a revisão do estatuto partidário.
Nesta fase inicial, o PT se concentrará em debater a conjuntura e a estratégia eleitoral, além de apresentar propostas consensuais para o programa de governo do presidente. Entre as sugestões estão a universalização da educação em tempo integral e a redução da jornada de trabalho.
Após uma reunião com Lula, Edinho enfatizou a importância das eleições de outubro e a necessidade de foco na tática eleitoral. Ele descreveu o cenário como desafiador e destacou que o combate à corrupção será um tema central na pré-campanha, ressaltando que a origem de problemas, como o caso do Banco Master, remonta ao governo Jair Bolsonaro.
Além disso, questões polêmicas, como a revisão do ajuste fiscal, não farão parte do manifesto que será divulgado no domingo, embora o partido considere propostas como a redução da taxa de juros e reformas no Judiciário e na legislação eleitoral.
Edinho também mencionou a defesa da democracia e da soberania como pilares da campanha, propondo discussões sobre terras raras e transição energética. Ele defendeu a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a adoção de tarifa zero para o transporte público.
Embora a participação de Lula no encerramento do congresso esteja prevista, há a possibilidade de que ele não compareça devido a um procedimento médico agendado. O evento visa energizar e unir a militância, evitando discussões que possam causar divisões internas ou expor Lula a críticas.
Edinho também orientou que os petistas defendam uma taxa de juros abaixo de 10% ao ano, mas esse tema deve ser excluído dos debates. Críticas ao arcabouço fiscal do governo Lula também serão evitadas, uma vez que poderiam desgastar a imagem do presidente junto ao mercado financeiro.
A cúpula do PT acredita que o partido pode se beneficiar ao discutir o combate à corrupção, especialmente em relação ao caso do Banco Master, que tem impactado adversários políticos. No entanto, essa estratégia é vista como arriscada, dado o histórico do partido com escândalos como o mensalão e a Lava Jato.
Atualmente, Lula aparece empatado nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro. O presidente também se prepara para procedimentos médicos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sem necessidade de internação.