Marília Lia, aos 28 anos, notou uma grande mancha roxa em sua perna, que inicialmente atribuiu a um possível golpe. No entanto, novos sintomas surgiram rapidamente, incluindo sangramentos intensos e desmaios, levando a uma internação de 110 dias. O diagnóstico foi de trombocitopenia imune (PTI), uma doença autoimune que reduz as plaquetas do sangue e pode causar hemorragias graves.
A trombocitopenia imune é caracterizada pela produção de anticorpos que atacam as plaquetas, resultando em uma diminuição significativa de sua quantidade. Segundo o hematologista Marcus Vinicius Franzin, isso compromete o sistema de coagulação do corpo. Marília, que antes do diagnóstico levava uma vida ativa, começou a perceber que seus sintomas, como fadiga e dores, eram sinais de algo mais sério.
Após um episódio de sangramento anômalo, ela buscou atendimento médico e foi internada. O diagnóstico foi rápido, com os médicos identificando a PTI em cerca de seis horas. O hemograma revelou que suas plaquetas estavam em níveis alarmantes, quase zero, o que trouxe riscos significativos à sua saúde.
Marília passou por diversos tratamentos, incluindo corticoides e quimioterapia, e chegou a ter plaquetas zeradas. Embora tenha alcançado remissão em 2016, ela vive com a constante preocupação de que a doença possa retornar.
A PTI não tem cura, tem remissão. Eu vivo com a sensação de uma bomba-relógio
, afirma.
Desde então, Marília mudou seu estilo de vida, adotando práticas como ioga e meditação para gerenciar o estresse. Ela também fundou a PTI Brasil, uma associação que apoia pacientes e familiares, após perceber a falta de informações sobre a doença em português. Marília enfatiza a importância de investigar qualquer sintoma incomum, como manchas roxas ou sangramentos.
A PTI Brasil surgiu como uma resposta à necessidade de apoio e informação, e Marília utiliza sua experiência para ajudar outros que enfrentam desafios semelhantes.
Se eu tivesse ignorado os sintomas, talvez eu não estivesse mais aqui
, conclui.