O presidente Donald Trump frequentemente defende uma política imigratória rigorosa, fundamentada em prisões e deportações, como uma medida de proteção à segurança nacional. Essa narrativa, que permeia o Partido Republicano há décadas, também é ecoada por alguns políticos democratas e reflete os impactos duradouros dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.
A advogada Elizabeth OuYang, professora da Universidade Columbia, destaca que o 11 de setembro foi um divisor de águas na política de imigração dos EUA. Ela observa que, mesmo antes do ataque, já havia um movimento em direção à repressão da imigração, mas a ênfase na repressão se intensificou significativamente após o evento.
Historicamente, a política de imigração americana buscava equilibrar a reunião familiar com a repressão. Contudo, após o 11 de setembro, essa balança se inclinou fortemente para a repressão. O ICE, criado em 2003 durante a Guerra ao Terror, exemplifica essa mudança, focando na fiscalização de imigrantes, especialmente aqueles de países islâmicos.
Sob a administração Trump, o ICE passou a atuar não apenas nas fronteiras, mas também dentro do país, intensificando as prisões e deportações de imigrantes em situação irregular. A professora OuYang ressalta que, por muito tempo, a política americana teve dois lados: a repressão e a reunião familiar, sendo esta última ameaçada pelas críticas de Trump.
Antes do 11 de setembro, a política de imigração já começava a adotar a abordagem de 'prevenção por meio da dissuasão', iniciada pelo governo Bill Clinton em 1994. Essa estratégia visava impedir a entrada de imigrantes, utilizando táticas que forçavam as pessoas a buscarem rotas mais perigosas.
Dados da ONU indicam que, desde 2014, 6.760 imigrantes perderam a vida tentando cruzar a fronteira com o Texas. OuYang conclui que a ênfase na segurança nacional após o 11 de setembro foi utilizada para justificar uma série de políticas que restringem as liberdades civis e promovem a exclusão.
Fonte: Noticiasaominuto