O governo brasileiro se manifestou em resposta às críticas dos Estados Unidos sobre sua atuação no combate ao crime organizado transnacional. Em uma nota divulgada na noite de quarta-feira, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) refutou alegações de falhas ou omissões, apresentando as iniciativas adotadas contra facções criminosas.
A resposta de Brasília foi motivada por um documento anual enviado pelo presidente dos Estados Unidos ao Congresso americano, que mencionou o Brasil em um contexto negativo, apesar de não incluí-lo na lista de 23 países considerados grandes produtores de drogas ou rotas de tráfico. O governo Trump criticou o Brasil por sua suposta ineficácia no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), que foram classificados como organizações terroristas.
O MJSP destacou que a avaliação americana ignora as ações implementadas pelo governo brasileiro, como o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, sancionado em março, que introduziu novos tipos penais e aumentou as punições para organizações criminosas. Além disso, o governo mencionou as operações realizadas por forças federais, que causaram prejuízos significativos às facções.
Outro ponto ressaltado foi o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio, que visa descapitalizar organizações criminosas, fortalecer o sistema penitenciário e combater o tráfico de armas. Nos primeiros 30 dias, o programa mobilizou quase 10 mil profissionais de segurança pública em operações integradas.
O governo brasileiro também fez questão de diferenciar a crítica política da classificação formal prevista na legislação americana, esclarecendo que a referência ao Brasil é uma 'manifestação circunstancial'.
Além disso, Brasília lembrou da cooperação existente com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, mencionando uma proposta entregue por Lula para ampliar ações conjuntas, que ainda não recebeu resposta formal.
As tensões entre os dois países não se limitam à segurança pública. Em julho, os Estados Unidos impuseram novas tarifas sobre produtos brasileiros, levando o governo brasileiro a considerar as medidas injustificadas e a solicitar consultas na Organização Mundial do Comércio.
As relações diplomáticas também enfrentaram desafios, como a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington. Questões ambientais foram levantadas nas investigações que resultaram nas tarifas, com o governo brasileiro defendendo suas ações de fiscalização e monitoramento ambiental.
Fonte: Noticiasaominuto