A pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Lund, na Suécia, sugere que o peso corporal acumulado ao longo da vida pode impactar o risco de desenvolver diversos tipos de câncer. O estudo, que analisou dados de mais de 620 mil indivíduos acompanhados entre os 17 e 60 anos, foi publicado na plataforma científica medRxiv.
Os resultados indicam que tanto o excesso de peso na juventude quanto o ganho acelerado nas décadas seguintes estão associados ao aumento da incidência de tumores. Os pesquisadores utilizaram dados do estudo sueco Obesity and Disease Development Sweden (ODDS), que compila informações sobre peso, altura e hábitos de saúde desde 1911 até 2020.
Os cientistas cruzaram os dados de peso dos participantes com diagnósticos de câncer documentados até 2023, avaliando 251.041 homens e 378.981 mulheres. Cada participante teve, em média, quatro registros de peso ao longo da vida adulta, sendo necessário ter pelo menos três medições em diferentes períodos.
A trajetória de ganho de peso foi dividida em três períodos: dos 17 aos 30 anos, dos 31 aos 44 anos e dos 45 aos 60 anos. Os pesquisadores compararam os participantes que ganharam mais peso com aqueles que tiveram menores variações, revelando que o grupo com maior ganho acumulou cerca de 32 quilos, enquanto o grupo com menor ganho registrou aproximadamente oito quilos.
Os resultados mostraram que aumentos significativos de peso estão associados a uma maior incidência de cânceres reconhecidos como relacionados à obesidade. Nos homens, os riscos mais elevados foram observados em câncer de fígado e adenocarcinoma de esôfago, especialmente entre aqueles que ganharam peso antes dos 45 anos. Também foram identificadas associações com câncer renal, câncer de cólon, tumores da hipófise, melanoma maligno e linfoma difuso de grandes células B.
Entre as mulheres, o câncer de endométrio foi o mais fortemente relacionado ao ganho de peso ao longo da vida, além de um aumento do risco de câncer renal, câncer de mama após a menopausa, meningioma e câncer de cólon, especialmente entre aquelas que ganharam peso após os 30 anos.
Outro achado relevante foi a influência do peso corporal aos 17 anos, com adolescentes mais pesados apresentando maior risco de desenvolver câncer na vida adulta. A idade de início da obesidade também impactou os resultados: quanto mais cedo ela começou, maior foi a associação com alguns tumores.
- Câncer de fígado
- Adenocarcinoma de esôfago
- Câncer renal
- Câncer de cólon
- Câncer de endométrio
- Câncer de mama após a menopausa
- Câncer de pâncreas
Os pesquisadores destacam que o excesso de gordura corporal pode favorecer o desenvolvimento de tumores por diversos mecanismos biológicos, como inflamação crônica, aumento dos níveis de insulina, alterações hormonais e estímulo ao crescimento celular desregulado. O organismo exposto à obesidade por longos períodos pode sofrer alterações metabólicas contínuas, criando um ambiente propício para o crescimento de células cancerígenas.