A votação final nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos ocorre nesta terça-feira (3), após uma campanha marcada por interferência eleitoral sem precedentes liderada por Donald Trump.
Trump tem um histórico de questionar resultados eleitorais sem apresentar provas, como ocorreu em 2020 e em 2024, quando indicou que não aceitaria uma possível vitória de Kamala Harris, gerando temores de reações violentas de seus apoiadores.
Durante as midterms deste ano, Trump tem demonstrado incerteza sobre aceitar um resultado que possa levar à perda do controle do Congresso. Em 27 de outubro, ao ser questionado, ele afirmou: "sim, se [os resultados] forem honestos".
As midterms, realizadas a cada quatro anos, envolvem a eleição de 435 assentos da Câmara e 35 cadeiras do Senado, além de governadores em 36 estados e autoridades locais.
Trump continua a afirmar, sem comprovação, que há fraude generalizada no sistema eleitoral americano. O sistema descentralizado de votação nos EUA dificulta tentativas de manipulação das cédulas.
O ex-presidente utiliza o poder do governo federal para semear dúvidas sobre a integridade do pleito, utilizando o Departamento de Justiça (DoJ) como principal ferramenta.
Tradicionalmente, o DoJ possui certa independência do presidente, mas sob Trump, essa dinâmica mudou, com ações voltadas para processar adversários políticos e questionar a integridade do voto.
O DoJ, sob Trump, passou a focar em supostos casos de fraude, enquanto governos locais republicanos levaram questões à Suprema Corte, resultando em decisões que enfraqueceram o Voting Rights Act.
Essas ações permitiram que os republicanos utilizassem novos mapas eleitorais em pelo menos sete estados, potencialmente garantindo nove assentos a mais do que o esperado.
As ações do DoJ, frequentemente rejeitadas nos tribunais, visam criar dúvidas sobre os resultados eleitorais, com processos contra estados democratas por não fornecerem dados de eleitores.
Em janeiro, o FBI apreendeu cédulas eleitorais na Geórgia, mas nenhuma fraude foi encontrada, levando o Partido Democrata a classificar a operação como um ataque à democracia.
O DoJ também processou a Califórnia, alegando que 20 mil cédulas enviadas pelo correio não deveriam ser contadas, mas foi derrotado em todas as instâncias judiciais.
Nesta terça, o DoJ anunciou o envio de mais de mil "monitores" eleitorais em 50 estados para registrar problemas durante as eleições, sem relatos de incidentes até o momento.
Fonte: Notícias ao Minuto Brasil