A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro intensificou as divisões internas do bolsonarismo ao publicar vídeos em suas redes sociais criticando Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência. A repercussão das postagens ganhou força em grupos do WhatsApp e Telegram, onde um levantamento da empresa de monitoramento Palver revelou que 67% das mensagens expressaram descontentamento com a conduta de Flávio.
O aumento das críticas a Flávio também foi impulsionado por setores da esquerda, que se uniram à onda de desaprovação, buscando desgastar a imagem do filho de Jair Bolsonaro. Desde 18 de junho, a Palver monitora as discussões sobre uma possível aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) para o Governo do Ceará. A discussão, que era tímida, ganhou destaque após os vídeos de Michelle, postados na tarde de quarta-feira (24).
Nos vídeos, Michelle relata um desentendimento com Flávio, que a teria desrespeitado por telefone após ela criticar a articulação de aliança com Ciro Gomes em um comício em novembro de 2025. Na manhã seguinte, o volume de menções ao caso atingiu 219 a cada 100 mil mensagens coletadas.
A análise da Palver identificou três correntes principais nas mensagens sobre a crise. A primeira critica Flávio por uma suposta traição ideológica, acusando-o de ignorar a memória do pai por conveniência eleitoral. Para esses usuários, a aliança com Ciro Gomes é inaceitável, e Michelle é vista como defensora dos valores do movimento.
Outro grupo pede desculpas de Flávio a Michelle, considerando que qualquer gesto de arrependimento foi calculado e não genuíno. Por fim, há quem defenda a postura do senador, argumentando que a aliança no Ceará é uma estratégia eleitoral necessária para derrotar o PT na região.
A situação gerou uma inversão de pauta nas redes sociais, ofuscando a crise do governo Lula, que estava em evidência após o afastamento do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado. Entre 24 e 25 de junho, o "Vídeo de Michelle" concentrou 76% das menções, enquanto o caso de Wagner teve apenas 24%.
Os conteúdos sobre a denúncia de Michelle geraram cerca de 1,4 milhão de reações, um número quase sete vezes maior do que as interações registradas sobre o caso de Wagner. Nesse contexto, perfis de esquerda direcionaram 38% de suas postagens para engajar no vídeo de Michelle, optando por explorar a discórdia no clã Bolsonaro em vez de proteger seu aliado sob investigação.