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Concentração de Gases de Efeito Estufa Alcança Níveis Históricos em 2025

Um relatório da Organização Mundial de Meteorologia revela que os gases de efeito estufa atingiram níveis recordes em 2025, com consequências alarmantes para o clima global e a sociedade.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Em 2025, a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera atingiu níveis sem precedentes, conforme apontado no relatório anual da Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Essas substâncias, que aprisionam o calor na Terra, superam a capacidade dos sistemas naturais de compensação.

Os cientistas descrevem essa situação como um forçamento radiativo, que é a diferença entre a energia solar absorvida pela Terra e a energia térmica que ela irradia de volta ao espaço. Historicamente, o dióxido de carbono (CO₂) é responsável por 66% desse desbalanceamento.

A média de CO₂ na superfície terrestre alcançou 426,8 partes por milhão, um número que representa 153% em relação aos níveis pré-industriais de 1750. Os efeitos dessa concentração são cada vez mais evidentes, com o planeta se aproximando de um 'overshoot', ou seja, um aquecimento que ultrapassa o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.

A vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett, destacou que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados e que essa tendência deve persistir, uma vez que o CO₂ possui uma longa vida útil na atmosfera, impactando o clima global por décadas.

Desde 2004, o Boletim de Gases do Efeito Estufa da OMM tem documentado o aumento da concentração de CO₂, que triplicou desde os anos 1960. O crescimento anual do gás aumentou de 0,8 ppm para 2,4 ppm na última década, com uma taxa de 2,8 ppm entre 2024 e 2025, ligeiramente inferior ao período anterior.

Oksana Tarasova, responsável pela rede de monitoramento do gás na OMM, explicou que a taxa de crescimento mais moderada reflete a recuperação dos sumidouros de carbono terrestres e a diminuição das emissões devido a incêndios. No entanto, espera-se um novo aumento nas concentrações devido à queima de combustíveis fósseis e ao desenvolvimento de um novo El Niño.

Cerca de metade do CO₂ liberado na atmosfera é absorvido pelos sistemas naturais da Terra. Contudo, a mudança climática, impulsionada pela queima de combustíveis fósseis, está acelerando a degradação desses ecossistemas, reduzindo sua eficiência.

Se as emissões continuarem nesse ritmo, o planeta poderá enfrentar um aquecimento de 2,8°C até 2100. A ONU reconheceu a inevitabilidade do 'overshoot', mas ressaltou que uma transição energética acelerada e a remoção de CO₂ da atmosfera podem ajudar a limitar o aquecimento a 1,5°C até o final do século.

Cortar as emissões de metano, que contribui com um terço do aumento da temperatura global, é uma estratégia viável. Em 2024, a concentração de metano na atmosfera era de 1.948 partes por bilhão, representando 267% dos níveis pré-industriais.

As emissões de metano são majoritariamente resultantes de atividades humanas, com a agropecuária sendo responsável por 40% delas. O óxido nitroso, outro gás de efeito estufa, alcançou 339,1 ppb em 2025, ou 126% do nível pré-industrial.

O boletim da OMM também alerta sobre o aumento de gases como o hexafluoreto de enxofre, que é 23 mil vezes mais potente que o CO₂ e teve um aumento recorde em 2025. Além disso, o hidrogênio, que não é um gás de efeito estufa, mas influencia a química atmosférica, também apresenta crescimento preocupante.

O monitoramento cuidadoso da composição atmosférica é essencial para detectar e prevenir consequências indesejadas das mudanças climáticas, conforme enfatizado no relatório.

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