O Brasil conta com 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não completaram a educação básica, representando 37,3% da população nessa faixa etária. Deste total, 44,7 milhões não finalizaram o ensino fundamental e 19,3 milhões não terminaram o ensino médio.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA), que visa atender aqueles que não concluíram os estudos na idade apropriada, abrange apenas 1,5% desse público potencial, conforme levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva.
O estudo revela que 63,9% do grupo sem educação básica completa é composto por pessoas pretas e pardas, que correspondem a 76,8% dos matriculados na EJA. No total da população, esses segmentos representam 55,5%, segundo o Censo de 2022.
O relatório, intitulado
População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas
, foi elaborado por diversas fundações em cooperação com a Unesco e o Iesp-Uerj.
Entre 2012 e 2025, o número de pessoas sem educação básica completa caiu 16%. A maior parte dessa redução, 51%, é atribuída ao falecimento de indivíduos mais velhos que não tiveram acesso à educação. O restante se deve à conclusão dos estudos por meio de diferentes modalidades.
Silvana Oliveira, superintendente do Itaú Educação e Trabalho, destaca a necessidade de repensar o ensino para essa população.
Não basta abrir mais vagas. A escola precisa caber na vida do estudante
, afirma, enfatizando a importância de currículos flexíveis e horários compatíveis com o trabalho.
O levantamento também aponta que a baixa escolaridade está ligada a desvantagens no mercado de trabalho. A renda mensal por pessoa do grupo sem educação básica completa é de R$ 1.427, representando 51,4% da renda de quem completou essa etapa.
A taxa de pobreza é 1,8 vez maior entre aqueles sem ensino fundamental completo. Além disso, apenas 38,4% dos ocupados sem essa formação têm empregos formais, em comparação a 65% entre os que completaram o ensino médio.
Uma simulação sugere que, se 32,5 milhões de pessoas concluíssem a educação básica, haveria um aumento de R$ 66 bilhões nos rendimentos do trabalho, o que corresponderia a 0,6% do PIB.
Entre os homens que não finalizaram os anos iniciais do ensino fundamental, 48,4% têm 60 anos ou mais. Para as mulheres, essa proporção é de 61,2%. No grupo com ensino médio incompleto, a maior concentração está entre adultos de 30 a 49 anos.
As razões para o abandono escolar e as barreiras ao retorno variam entre os gêneros. Para homens de 15 a 29 anos, 53,9% mencionaram o trabalho como motivo para deixar a escola, enquanto 61,7% citaram o trabalho como obstáculo para voltar. Entre as mulheres, 34,9% associaram a dificuldade de retorno às responsabilidades familiares, e 22,9% apontaram a gravidez como motivo de abandono.
Fonte: Noticiasaominuto