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Centrão se une contra investigações após operação contra Ciro Nogueira

A operação da Polícia Federal contra Ciro Nogueira gerou críticas do Centrão e renovou esforços para limitar investigações em ano eleitoral, após a PEC da Blindagem.
Foto: Simoneduarte

A operação realizada na última quinta-feira (7) contra o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), mobilizou políticos do Centrão em críticas à Polícia Federal e reacendeu discussões sobre a necessidade de restrições às investigações.

A 5ª fase da Compliance Zero investiga se Nogueira atuou no Congresso para favorecer o Banco Master. Ele apresentou uma emenda, elaborada pela assessoria do banco, que aumentava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que, segundo interlocutores, poderia gerar um impacto significativo no mercado.

A investigação revela repasses mensais do Banco Master ao senador que totalizam R$ 500 mil, além de custeio de viagens, despesas em restaurantes e a compra de uma empresa por valores abaixo do mercado.

Ciro Nogueira foi alvo de buscas, teve seu telefone apreendido e está proibido de se comunicar com outros investigados, incluindo seu irmão, Raimundo Nogueira, que será monitorado por tornozeleira eletrônica.

Aliados de Nogueira criticam a operação, considerando-a uma 'violência' contra seu irmão, e tentam minimizar a emenda apresentada, argumentando que é comum que parlamentares aceitem sugestões de empresas. O senador expressou sua indignação em uma rede social, afirmando que há tentativas de desestabilizar sua liderança nas pesquisas de intenção de votos.

Após a operação, membros do Centrão alegaram que as investigações da PF estão sendo direcionadas para causar desgaste político a menos de cinco meses das eleições. Uma liderança do grupo, que preferiu não se identificar, afirmou que as ações da PF têm potencial de causar um 'prejuízo eleitoral irreparável'.

Nos bastidores, há críticas à falta de um órgão de controle externo para a PF, semelhante ao Conselho Nacional de Justiça e ao Conselho Nacional do Ministério Público, o que, segundo os parlamentares, pode levar a abusos.

Por essa razão, parlamentares defendem a implementação de medidas que limitem as investigações, uma discussão que vem sendo levantada ao longo da legislatura. No ano anterior, a Câmara aprovou a PEC da Blindagem, que restringia a atuação da PF contra deputados e senadores, mas o projeto foi rejeitado no Senado devido à pressão popular.

As críticas também atingem o governo, com parlamentares afirmando que investigadores designados para posições-chave têm agido politicamente para atingir opositores da gestão Lula.

A operação contra Ciro Nogueira ocorreu dez dias após outra investigação da PF que mirou políticos do Centrão, incluindo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), em um caso de suposto contrabando. Os parlamentares negam qualquer irregularidade.

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