O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira (23) a respeito da apreensão de uma arma registrada em seu nome durante uma blitz de trânsito em Brasília. Segundo seu advogado, Paulo Cunha Bueno, Bolsonaro reiterou aos investigadores a versão já apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), na qual afirma ter entregue a arma a um militar de sua segurança para reparo.
A abordagem ocorreu na semana passada, quando o militar Estácio Leite da Silva Filho foi parado em uma blitz a aproximadamente 33 quilômetros da residência de Bolsonaro. Durante a abordagem, os agentes encontraram uma pistola Glock calibre 9 mm, registrada em nome do ex-presidente.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da posse da arma pelo segurança e solicitou autorização ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, para ouvir Bolsonaro. O ministro permitiu o depoimento, mas determinou que fosse realizado presencialmente, uma vez que o ex-presidente está proibido de usar dispositivos eletrônicos.
De acordo com a defesa, o depoimento durou cerca de cinco minutos, enquanto os policiais estiveram na residência de Bolsonaro por aproximadamente 40 minutos. Em manifestação enviada ao STF, a defesa explicou que Bolsonaro notou um defeito no percussor da arma e pediu ao segurança que providenciasse o conserto.
Nas redes sociais, Paulo Cunha Bueno afirmou que a arma estava devidamente registrada e que não havia determinação judicial para sua entrega às autoridades. O advogado destacou que não houve intenção de descumprir qualquer determinação legal e expressou a expectativa de que o inquérito seja arquivado.
O desdobramento deste caso poderá impactar a análise de Alexandre de Moraes sobre a continuidade da prisão domiciliar de Bolsonaro, que está em vigor desde março, após autorização judicial por razões médicas. O prazo de 90 dias para essa medida termina nesta quinta-feira (25). Recentemente, um boletim médico indicou melhora no estado de saúde do ex-presidente, que está em tratamento de um ombro operado e apresentou redução nas crises de soluço.
Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à trama golpista.