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Atividade Física Pode Prolongar Sobrevida em Pacientes com Câncer

Estudo revela que a prática de exercícios físicos após o diagnóstico de câncer está associada a uma menor mortalidade. Mesmo pequenas quantidades de atividade física podem trazer benefícios significativos.
Foto: Metropoles

A prática de atividade física é amplamente reconhecida por seus benefícios na prevenção do câncer, mas novas evidências sugerem que ela também pode ser crucial para aumentar a sobrevida após o diagnóstico da doença. Um estudo publicado no JAMA Network em fevereiro revelou que a atividade física está ligada a um menor risco de morte entre pacientes com diversos tipos de câncer.

A pesquisa analisou dados de seis grandes estudos de saúde de longo prazo, envolvendo mais de 17 mil sobreviventes de sete tipos de câncer: bexiga, endométrio, rim, pulmão, boca, ovário e reto. Os pesquisadores avaliaram a quantidade de exercícios realizados antes e após o diagnóstico, em média, 2,8 anos depois, ajustando os dados para fatores como idade, sexo, tabagismo e estágio da doença.

Os resultados mostraram um padrão claro: indivíduos que mantiveram uma rotina de exercícios apresentaram uma mortalidade reduzida relacionada ao câncer. A oncologista Ana Paula Garcia Cardoso, do Einstein Hospital Israelita, destacou a relevância do estudo para a prática clínica, enfatizando que a atividade física não deve ser negligenciada durante as consultas com oncologistas.

Além disso, a pesquisa indicou que pacientes sedentários antes do diagnóstico que começaram a se exercitar após a descoberta da doença também tiveram uma redução significativa no risco de morte, especialmente em casos de câncer de pulmão e reto. Cardoso observou que muitos acreditam que, se não começaram a se exercitar antes, não vale a pena, mas os dados contradizem essa ideia.

Os benefícios da atividade física variam conforme o tipo de câncer. Tumores como pulmão, endométrio, bexiga e ovário mostraram um impacto positivo mais consistente, enquanto em cânceres de cavidade oral e reto, a manutenção de altos níveis de atividade física após o diagnóstico foi mais benéfica.

A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada a intensa por semana, mas o estudo sugere que até pequenas quantidades de exercício podem reduzir o risco de morte por alguns tipos de câncer. Cardoso enfatizou que qualquer movimento é benéfico e que não há um mínimo obrigatório para começar.

A oncologista também abordou a dúvida sobre o momento ideal para iniciar a atividade física, afirmando que não é necessário esperar o fim do tratamento. Os dados mostram que iniciar o hábito de se exercitar após o diagnóstico já traz vantagens. A atividade física pode ser introduzida em qualquer fase, desde que respeitadas as condições clínicas e com orientação adequada.

O estudo focou principalmente em atividades aeróbicas de intensidade moderada a vigorosa, como caminhada e bicicleta, mas não comparou diretamente diferentes modalidades. Cardoso recomenda começar devagar, com cerca de 15 minutos por dia, e progredir gradualmente, ressaltando que toda atividade física é bem-vinda.

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