A Promotoria da Alemanha apresentou nesta quinta-feira (2) acusações contra autoridades da Ucrânia, alegando que elas ordenaram a sabotagem dos gasodutos Nord Stream 1 e 2. Os gasodutos, que deveriam transportar gás natural da Rússia para a Europa, foram alvo de ataques poucos meses após o início da invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Um ex-oficial do Exército ucraniano, identificado apenas como Serhii K., foi indiciado por sua suposta participação na sabotagem. Segundo a acusação, ele atuou em nome de órgãos do Estado ucraniano e é responsabilizado por crimes de guerra relacionados ao ataque a uma infraestrutura civil.
A denúncia foi protocolada em um tribunal regional de Hamburgo. Em conformidade com as leis de privacidade da Alemanha, os promotores divulgaram apenas o primeiro nome e a inicial do sobrenome do acusado.
De acordo com os promotores, Serhii K. esteve envolvido na elaboração do plano para destruir os gasodutos, junto a outros militares ucranianos. O objetivo da ação, conforme a acusação, era interromper o fornecimento de gás russo à Europa e impedir que a Rússia utilizasse os lucros da exportação para financiar a guerra.
Os promotores afirmam que, em setembro de 2022, o ex-oficial entrou na Alemanha com um passaporte ucraniano falso e alugou um iate. Ele teria liderado uma equipe composta por mergulhadores profissionais e um especialista em explosivos, que transportou materiais bélicos por águas internacionais até uma área próxima à ilha dinamarquesa de Bornholm. No local, os explosivos foram fixados nos gasodutos, com dispositivos programados para detonação.
As explosões, que ocorreram em setembro de 2022, foram classificadas como atos de sabotagem tanto pela Rússia quanto por países ocidentais. Os ataques danificaram o Nord Stream 1, a principal rota de exportação de gás russo para a Europa, e o Nord Stream 2, que ainda não havia sido inaugurado.
Na época, a Rússia havia interrompido o fornecimento de gás pelo Nord Stream 1, alegando problemas técnicos, enquanto países europeus acusaram Moscou de usar o fornecimento de energia como uma ferramenta de pressão política.
As autoridades ucranianas afirmaram não ter informações suficientes para responder às acusações. O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, declarou que ainda não havia recebido os detalhes da denúncia e que o governo se manifestaria após análise do documento.
Serhii K. foi preso na Itália em agosto do ano passado e transferido para a Alemanha em novembro. Ele nega qualquer envolvimento nas explosões. Seu advogado na Itália, Nicola Canestrini, afirmou que recebeu a denúncia com tranquilidade e defendeu a necessidade de esclarecimento do caso, afirmando: "Não tememos a denúncia".
Conforme a legislação alemã, o crime de ataque a bens civis prevê uma pena mínima de três anos de prisão, que pode ser reduzida para um ano em casos considerados menos graves. Os tribunais alemães consideram que têm jurisdição sobre o caso, uma vez que os gasodutos terminam na cidade de Lubmin, no estado de Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, e a destruição da infraestrutura afetou a segurança energética da Alemanha.