O Senado dos Estados Unidos aprovou a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador americano no Brasil, em uma votação apertada de 51 a 47. A confirmação ocorreu dentro de um pacote que incluiu outras 73 indicações para cargos diplomáticos e governamentais.
Com a aprovação, Perez está apto a assumir o cargo, mas ainda depende da concessão do agrément pelo governo brasileiro, que é a autorização formal para que um chefe de missão possa atuar. O posto está vago desde janeiro do ano passado, quando Donald Trump iniciou seu segundo mandato.
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil é atualmente liderada por um encarregado de negócios. No entanto, integrantes do governo Lula já sinalizaram que não pretendem conceder o agrément a novos embaixadores antes das eleições presidenciais de outubro.
A indicação de Perez se tornou central na crise diplomática entre os dois países. O governo americano acusa o Brasil de atrasar a concessão do agrément, afirmando que deu várias oportunidades para que a situação fosse resolvida, mas enfrentou adiamentos.
Como resposta, Washington revogou o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti, classificando a medida como recíproca. O Departamento de Estado afirmou que a diplomata continuará a ser reconhecida como representante oficial do Brasil, mas precisará de um novo visto caso saia do país.
Políticos americanos criticaram a revogação do visto. A senadora democrata Jeanne Shaheen expressou que a medida prejudica a relação bilateral, ironizando que a revogação do visto da principal diplomata de um parceiro não avança os interesses dos EUA.
Apesar das críticas, Shaheen e o senador Tim Kaine votaram a favor da aprovação de Perez, com Kaine justificando que é preferível ter um representante no Brasil, mesmo que indicado pela oposição, do que deixar a vaga em aberto.
A justificativa do Brasil para não conceder o agrément está ligada ao fato de que a indicação de Perez foi anunciada publicamente antes da autorização brasileira, rompendo com o rito diplomático tradicional. Interlocutores do governo brasileiro expressaram preocupação de que a indicação pudesse ser usada para pressionar o processo eleitoral no Brasil.
Reservadamente, foi informado que a embaixadora Viotti foi alertada sobre possíveis retaliações caso o impasse persistisse. No entanto, a avaliação no Palácio do Planalto é de que não há motivos para retirar Viotti de Washington neste momento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão americana, lembrando que Trump ficou mais de um ano sem indicar um embaixador para o Brasil. Lula classificou a restrição ao visto da embaixadora como irresponsável e afirmou que a análise de novos embaixadores será deixada para depois das eleições.
Fonte: Noticiasaominuto