O psicólogo da Unidade Básica de Saúde Eliza Bandeira de Melo, em Bom Jesus, Felipe Fernandez, defende que a discussão sobre saúde mental e prevenção ao suicídio deve ser uma preocupação constante, não limitada ao mês de setembro. Ele ressalta que a conscientização deve ser parte do cuidado diário com a população.
Em entrevista, Felipe mencionou que desde o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, em 10 de setembro, a UBS tem promovido ações voltadas à saúde mental e ao bem-estar dos pacientes. Embora o Setembro Amarelo seja um período importante para mobilização, as iniciativas vão além da campanha.
As atividades são realizadas em diversos ambientes, incluindo escolas, comunidades e salas de espera da UBS, envolvendo famílias e indivíduos que buscam apoio em saúde mental.
O Setembro Amarelo é a campanha que o psicólogo mais trabalha. Temos um trabalho massivo de conscientização nas escolas, na comunidade, nas salas de espera da UBS, junto às famílias e às pessoas que buscam atendimento em saúde mental — afirmou.
Felipe enfatiza que é crucial não apenas discutir o suicídio, mas também promover a valorização da vida e criar uma rede de apoio para identificar situações de sofrimento.
Não é só falar sobre o suicídio, mas especialmente falar da valorização da vida, que é um trabalho que desenvolvemos durante todo o ano — destacou.
O psicólogo também alertou sobre a importância de observar mudanças no comportamento de pessoas próximas. Alterações repentinas de humor, retraimento e manifestações relacionadas ao desejo de morrer podem ser sinais de que alguém está enfrentando dificuldades emocionais.
Felipe explicou que eventos como perdas, lutos e crises familiares podem impactar significativamente o estado emocional de uma pessoa.
Quando a pessoa apresenta alterações repentinas de humor, quando passou por uma grande carga estressora — perdas, lutos, rompimentos, alguma crise familiar ou social — são pequenos sinais que nós podemos identificar e direcionar para ajuda profissional — afirmou.
Ele também abordou um mito comum sobre a prevenção do suicídio: a crença de que pessoas em risco não demonstram seus sentimentos. Felipe ressaltou que os sinais podem ser sutis e, muitas vezes, passam despercebidos por quem está ao redor.
Fonte: Diariodosertao