Na manhã desta quarta-feira (25), a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação para investigar a reativação do Banco Crédito Móvel, uma instituição que foi extinta há seis décadas. A ação ocorre sob suspeita de que um grupo de falsos acionistas tenha conseguido restabelecer o registro do banco, encerrado oficialmente em 1964.
As investigações indicam que a reativação do banco, que se deu na gestão do governador Cláudio Castro (PL), ocorreu mesmo diante de decisões judiciais contrárias e pareceres técnicos que desaprovavam a medida. O objetivo do grupo seria reivindicar direitos sobre precatórios e terras avaliados em bilhões de reais, relacionados a uma área de aproximadamente 153 mil metros quadrados no Recreio dos Bandeirantes.
A operação, denominada "Operação Lázaro", mira os responsáveis pela tentativa de reativação do banco, incluindo dirigentes da Junta Comercial do Rio de Janeiro, que possibilitaram o processo. Entre os alvos estão o atual vice-presidente da Junta, Affonso D'Anzicourt Silva, o secretário-geral, Gabriel Oliveira de Souza Voi, e o ex-presidente, Sergio Romay. Silva declarou não temer a investigação e prometeu se manifestar mais detalhadamente em momento oportuno.
A empresa BCM Ativos Imobiliários, envolvida no caso, negou as acusações e expressou indignação em nota, afirmando que as alegações são infundadas. A companhia destacou que a situação atual é resultado de disputas econômicas na região da Barra da Tijuca e que já denunciou a utilização indevida do nome do antigo banco ao Poder Judiciário.
A reativação do Banco Crédito Móvel foi inicialmente revelada em março de 2025 e envolveu a mulher de um deputado estadual, além de negócios com o ator Márcio Garcia. O banco, considerado extinto desde 1964, era proprietário de terrenos na Barra da Tijuca, Recreio e Vargem Grande, áreas que atualmente estão em meio a uma intensa disputa imobiliária.
O movimento para reativar o banco começou em 2016, quando Heitor Castro, filho de um dos antigos sócios, se uniu a advogados e empresários para contestar a extinção da instituição. Apesar de Heitor ter falecido em 2018, seus sócios continuaram a luta judicial, que já resultou em indiciamentos por falsidade ideológica, embora o caso tenha sido arquivado em 2022.
Desde então, foram realizadas assembleias para tentar movimentar o banco, mas a Junta Comercial do Rio de Janeiro arquivou algumas atas, contrariando a Procuradoria do Estado. A última assembleia, realizada em maio de 2023, decidiu pela transferência do banco para Brasília e registrou a aceitação de Mariana Felippe, esposa do deputado Jorge Felippe Neto, como nova diretora.
Enquanto o CNPJ do banco esteve ativo, o grupo lançou um empreendimento imobiliário em 2022, mas a Secretaria Municipal de Ordem Pública demoliu estruturas no local por falta de licença. A investigação continua em andamento, e novas decisões judiciais podem impactar o futuro da reativação do banco.