Na noite de terça-feira, protestos contra a imigração em Belfast, na Irlanda do Norte, resultaram em episódios de violência e incêndios. O tumulto começou após a divulgação de um ataque a faca que deixou um homem em estado crítico e a convocação de atos por figuras da extrema direita.
Grupos de manifestantes, alguns deles mascarados, incendiaram veículos e atacaram imóveis na cidade e arredores. Durante os distúrbios, ruas foram bloqueadas e casas e carros foram queimados, enquanto sirenes soavam e um helicóptero policial sobrevoava a área.
Um ônibus do tipo Glider foi incendiado na Newtownards Road, e outros veículos foram queimados nas proximidades da Shankill Road e em Newtownabbey. A polícia local informou que os distúrbios ocorreram em "bolsões" e pediu à população que evite novas ações de risco.
Ryan Henderson, assistente do chefe de polícia, afirmou que
bolsões esporádicos de desordem eclodiram em vários locais da Irlanda do Norte nesta noite
e pediu que todos mantenham a calma e ajam com responsabilidade.
A violência foi desencadeada por postagens nas redes sociais que incentivaram as manifestações, com figuras como Elon Musk e o ativista de extrema direita Stephen Yaxley-Lennon, conhecido como Tommy Robinson, sendo mencionados como influências.
O ataque a faca, que ocorreu por volta das 22h30 de segunda-feira, deixou um homem na faixa dos 40 anos gravemente ferido. A polícia prendeu um solicitante de refúgio sudanês de 30 anos, que deve comparecer a um tribunal de magistrados em Belfast.
Lideranças políticas, incluindo a primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O'Neill, condenaram os ataques. O'Neill descreveu os atos de violência como "covardia nojenta" e criticou a atuação de perfis nas redes sociais que alimentam tensões.
O deputado John Finucane, do Sinn Féin, também se manifestou, afirmando que "não há lugar para isso em nossas ruas" e que ninguém tem o direito de intimidar moradores.
Comunidades imigrantes expressaram receio de se tornarem alvos de ataques e adotaram medidas de segurança. O Centro Islâmico de Belfast cancelou as orações da noite, orientando os fiéis a permanecerem em casa.
O chefe de polícia, Jon Boutcher, informou que o suspeito do ataque não tinha registros em bases de segurança e que não havia indícios de terrorismo. Ele também revelou que o homem havia passado por outros países antes de chegar ao Reino Unido.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou o ataque como repugnante e expressou sua gratidão a quem interveio. Starmer afirmou que não tolera cenas de violência nas ruas.
O caso também foi utilizado por políticos e comentaristas para defender medidas mais rigorosas contra a imigração, com o porta-voz do partido Reform UK, Zia Yusuf, afirmando que a violência é resultado da política de imigração.