Nesta semana, Ruanda recorda um dos episódios mais trágicos de sua história: o genocídio contra os tútsis, que resultou na morte de entre 800 mil e 1 milhão de pessoas em um período de 100 dias. As tensões étnicas entre hutus e tútsis foram o pano de fundo para essa tragédia.
Cerca de 85% da população ruandense é composta por hutus, mas a minoria tútsi dominou o país durante a colonização alemã e belga. Em 1959, hutus derrubaram o governo monarquista dos tútsis, levando a uma fuga em massa de tútsis para países vizinhos, como Uganda. A Frente Patriótica de Ruanda (RPF), formada por tútsis, surgiu para combater o governo hutu.
Em 1990, a RPF invadiu Ruanda, dando início a uma guerra com o objetivo de restaurar os direitos dos tútsis. Um acordo de paz foi assinado em 1993, mas em 1994, o atentado contra o avião do presidente Juvénal Habyarimana, da etnia hutu, desencadeou o genocídio.
A partir de 6 de abril de 1994, a tensão étnica explodiu. Após a morte de Habyarimana, hutus começaram a massacrar tútsis e hutus moderados, com apoio de milícias civis. As vítimas foram muitas vezes mortas em suas casas ou aldeias entre 7 de abril e 19 de junho de 1994.
A RPF, liderada por Paul Kagame, respondeu com uma ofensiva que resultou na queda do governo hutu. Kagame se tornaria presidente em 2000 e permanece no cargo até hoje. Apesar da presença de forças da ONU e da Bélgica, não houve intervenção durante o genocídio.
O embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, destacou que, apesar da indiferença da comunidade internacional, o país busca aprender com seu passado.
Ao celebrarmos a 32ª Comemoração do Genocídio de 1994 contra os Tutsi, recordamos as milhares de vidas perdidas, mas também mostramos uma nação que escolheu unir-se — afirmou.
Manzi enfatizou que a história de Ruanda demonstra que situações terríveis podem ser revertidas por meio da resiliência e liderança comprometida. O país promove anualmente a Kwibuka, que significa "lembrar", para homenagear as vítimas e refletir sobre o genocídio.
No Brasil, a embaixada de Ruanda realizará dois eventos da Kwibuka. O primeiro será uma sessão solene na Câmara Legislativa do Distrito Federal, e à noite, a Catedral Metropolitana de Brasília será iluminada em solidariedade às vítimas.