Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil, chegou a Washington para um encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião, agendada para a manhã de hoje na Casa Branca, tem como objetivo discutir temas delicados e melhorar a imagem de Lula em seu país, onde enfrenta um cenário eleitoral desafiador.
As relações entre Brasil e Estados Unidos têm sido tensas, mas ambos os líderes, apesar de suas diferenças ideológicas, reconhecem uma certa afinidade pessoal. O primeiro encontro oficial entre eles ocorreu em outubro na Malásia e foi cordial.
Recentemente, Washington reduziu as tarifas punitivas impostas ao Brasil em resposta a ações do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, que atualmente cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
O cenário internacional mudou significativamente, com os Estados Unidos derrubando Nicolás Maduro na Venezuela e se envolvendo em um conflito no Irã ao lado de Israel. Lula, que em 2025 criticou Trump por suas ambições globais, se opôs firmemente a essas intervenções, afirmando ser contra qualquer ingerência política.
Aos 80 anos, Lula chega a Washington em um momento de fragilidade política, após enfrentar derrotas no Parlamento e com as eleições presidenciais se aproximando. Ele está empatado nas pesquisas com Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente.
A segurança é uma preocupação central para os eleitores brasileiros, e o combate ao crime organizado será um dos tópicos discutidos na reunião. O ministro das Finanças, Dario Durigan, que acompanha Lula, destacou a intenção do Brasil de fortalecer a cooperação na luta contra o tráfico de drogas.
Em abril, Brasil e Estados Unidos assinaram um acordo para combater o tráfico de armas e drogas, incluindo a troca de dados de controles de contentores. Trump prioriza o combate ao narcoterrorismo em seu segundo mandato, utilizando essa questão para justificar intervenções militares.
Outro ponto de interesse na reunião será a exploração dos vastos depósitos de terras raras do Brasil, essenciais para a tecnologia moderna. O Brasil possui as segundas maiores reservas do mundo, atrás apenas da China.
Durigan enfatizou que, embora os investimentos estrangeiros sejam bem-vindos, o Brasil busca estimular a industrialização e a criação de empregos qualificados. Além disso, os Estados Unidos estão investigando o Brasil por práticas comerciais desleais, especialmente em relação ao sistema de transferências bancárias Pix.
O Pix, lançado em 2020, revolucionou os pagamentos no Brasil, superando o uso de cartões bancários, com bilhões de transações registradas em janeiro, segundo o Banco Central.
A visita de Lula foi confirmada por um funcionário da Casa Branca, que afirmou que Trump e Lula discutirão assuntos econômicos e de segurança de interesse mútuo.