Geralda Áurea Pereira, de 63 anos, vivenciou uma experiência alarmante em 2019, quando começou a sentir dores intensas no estômago após receber notícias sobre um acidente. Inicialmente diagnosticada com crise na vesícula, ela foi liberada, mas acabou desmaiando em casa e descobrindo que estava infartando. Geralda, que se considerava saudável, agora vive com 45% do coração comprometido e toma 15 remédios diariamente.
Os sintomas de infarto em mulheres diferem dos típicos nos homens, que geralmente incluem dor no peito irradiando para o braço. Em mulheres, os sinais podem incluir dor abdominal, queimação, náusea, vômito, cansaço extremo e sudorese, frequentemente confundidos com problemas gástricos ou crises de ansiedade.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) destacou em um posicionamento que as doenças cardiometabólicas em mulheres são frequentemente subdiagnosticadas e subtratadas. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no Brasil, superando todos os tipos de câncer, e o infarto é responsável por oito vezes mais mortes do que o câncer de mama.
Ana Luiza Bemquerer, de 27 anos, refletiu sobre a morte de sua mãe, Tammy Donin Bemquerer, em 2025, e acredita que os sintomas que precederam sua morte poderiam ter sido melhor investigados. Tammy apresentou sintomas como queimação e cansaço extremo, mas foi diagnosticada com intoxicação alimentar e liberada do hospital. Após dias debilitada, ela sofreu um colapso e faleceu.
A médica Gláucia Moraes, da SBC, afirma que os sintomas que parecem gastrite podem, na verdade, ser isquemia miocárdica. Estudos indicam que o infarto é mais letal em mulheres, com um levantamento global mostrando um risco 24% maior em comparação aos homens. Além disso, um estudo da PUC do Paraná revelou que mulheres entre 45 e 55 anos têm risco de morte pós-infarto significativamente maior do que homens da mesma faixa etária.
Olga Souza, diretora nacional de Cardiologia da Rede D'Or, explica que a doença coronariana nas mulheres apresenta um espectro mais amplo, envolvendo microcirculação e tipos de infarto que não são detectados em cateterismos. Isso resulta em um tratamento inadequado, com mulheres tendo menor probabilidade de receber cuidados básicos durante um infarto.
Neide Braga, de 75 anos, também enfrentou um diagnóstico equivocado. Após apresentar desconforto abdominal e enjoo, ela foi liberada do hospital, mas faleceu horas depois. Sua filha, Manuela, lamenta a falta de atenção aos sintomas e destaca a importância de reconhecer dores abdominais como possíveis sinais de infarto.
Pesquisas mostram que mulheres tendem a buscar atendimento médico mais tarde do que homens, muitas vezes minimizando seus sintomas. Além disso, fatores hormonais e reprodutivos podem aumentar a vulnerabilidade das mulheres a doenças cardiovasculares.
A SBC tem trabalhado para aumentar a conscientização sobre os sintomas de infarto em mulheres, especialmente após um aumento significativo nas buscas por informações sobre o tema. Reconhecer os sinais de infarto é crucial para salvar vidas.