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Taiwan inicia reativação de usinas nucleares em meio a tensões geopolíticas

Taiwan dá início ao processo de reativação de duas usinas nucleares, após um ano do desligamento do último reator, em resposta ao aumento da demanda energética e incertezas no Oriente Médio.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Taiwan está reavaliando sua política energética ao iniciar o processo de reativação de duas usinas nucleares, um ano após o desligamento do último reator. Essa decisão surge em um contexto de crescente demanda por energia, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial e pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

A estatal Taipower busca autorização para reiniciar as operações das usinas de Kuosheng, no norte, e Maanshan, no sul do país. O presidente taiwanês, William Lai, informou que a empresa deve submeter um plano à Comissão de Segurança Nuclear até o final do mês.

Lai destacou que a reativação da energia nuclear depende de três fatores: a segurança das usinas, a gestão adequada dos resíduos e o apoio da população.

O último reator de Taiwan foi encerrado em maio de 2025, encerrando um processo gradual de abandono da energia nuclear que começou após o acidente de Fukushima, no Japão. Essa política fazia parte da estratégia do governo para eliminar a dependência dessa fonte de energia.

Entretanto, a situação atual levou o governo a reconsiderar essa abordagem. O crescimento econômico, a necessidade de fontes de energia com menor emissão de carbono e o aumento do consumo energético, especialmente devido à inteligência artificial, foram fatores determinantes.

Adicionalmente, uma nova legislação aprovada pelo Parlamento permite que usinas nucleares continuem operando mesmo após o início do processo de desativação, facilitando a possível reativação.

A questão energética de Taiwan também está ligada à sua dependência de importações. Em 2025, o gás natural liquefeito representou mais de 47% da geração elétrica, com uma parte significativa proveniente do Catar. Cerca de 70% do petróleo consumido no país é importado do Oriente Médio, principalmente da Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Esse cenário torna Taiwan vulnerável a interrupções no fornecimento, especialmente em meio a conflitos na região. O governo tem buscado diversificar suas importações, atualmente distribuídas entre 14 países, e assegura que o abastecimento de gás deve permanecer estável no curto prazo.

Outro ponto de preocupação é a dependência do transporte marítimo para a importação de energia. Taiwan teme um possível bloqueio por parte da China, que considera a ilha parte de seu território e tem intensificado exercícios militares na área.

Recentemente, Taiwan detectou 26 aeronaves militares chinesas operando nas proximidades da ilha, com 16 delas cruzando a linha média do Estreito de Taiwan, conforme anunciado pelo Ministério da Defesa Nacional.

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