Vladimir Putin apresentou a Rota Marítima do Norte como uma alternativa ao Estreito de Ormuz, que é amplamente controlado pelo Irã. O presidente russo enfatizou que essa rota, que atravessa o Ártico ao longo da costa russa, se torna cada vez mais relevante devido às interrupções nas cadeias globais de transporte causadas por conflitos, incluindo os do Oriente Médio.
Putin afirmou que a Rota Marítima do Norte pode encurtar o trajeto entre a Ásia e a Europa em até três vezes em comparação com a rota pelo Canal de Suez, no Egito. Essa proposta surge em um momento em que a guerra no Irã impactou significativamente o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.
Entretanto, a viabilidade dessa rota para o comércio global é questionada. Ksenia Vakhrusheva, da Fundação Ambiental Bellona, destacou que a quantidade de carga que transita pela Rota Marítima do Norte é insignificante em comparação com outras rotas marítimas entre a Ásia e a Europa. Para ilustrar, 12% do comércio global passa pelo Canal de Suez, enquanto apenas 103 navios utilizaram a Rota Marítima do Norte em 2025.
Vakhrusheva também apontou que a rentabilidade dessa rota não corresponde à imagem que a Rússia deseja projetar. Um dos principais obstáculos é o clima extremo do Ártico, que torna a rota coberta de gelo na maior parte do ano, exigindo a presença de quebra-gelos, o que eleva os custos e está sob controle russo.
Além disso, a dependência da Rússia para o uso dessa via é um fator que desestimula muitos países e empresas de navegação. A Rota Marítima do Norte, portanto, se apresenta como uma opção pouco atraente economicamente, de difícil acesso e sob o controle de um regime autoritário.