A falta de atividade física, frequentemente adiada por questões de tempo ou prioridade, pode ter consequências que vão além do ganho de peso. Um estudo publicado na revista Psychoneuroendocrinology aponta que, após os 30 anos, o sedentarismo provoca alterações biológicas que se acumulam ao longo das décadas. A partir dos 50 anos, essas mudanças podem manter o corpo em um estado contínuo de ativação dos mecanismos de estresse, aumentando o desgaste físico e o risco cardiovascular.
A pesquisa analisou os mecanismos biológicos de resposta ao estresse em indivíduos sedentários em comparação com aqueles que praticavam atividades físicas regularmente. A carga alostática, que representa o desgaste do sistema nervoso devido à ativação constante do estresse, foi 17% maior entre os sedentários. O estudo acompanhou 3.300 adultos por 15 anos, considerando sedentários aqueles que não atingiam 150 minutos de exercício moderado a vigoroso por semana, conforme definido pela Organização Mundial da Saúde.
Mais da metade dos participantes não alcançou o nível de atividade recomendado e foi classificada como 'inativa estável', apresentando os maiores níveis de marcadores biológicos de estresse na meia-idade. Os resultados mostraram que tanto os que nunca se exercitaram quanto aqueles que reduziram a atividade na vida adulta tiveram resultados negativos em relação à carga alostática.
O estudo também revelou que o impacto do estresse no sistema cardiovascular é uma via de mão dupla, onde a disfunção do coração pode aumentar os marcadores de estresse, criando um ciclo prejudicial. O cardiologista Murilo Meneses destaca que a ativação de hormônios como cortisol e adrenalina é saudável em situações pontuais, mas se torna problemática quando frequente, levando a alterações na pressão, glicemia e colesterol.
A falta de atividade física contribui para problemas como hipertensão e aumento da gordura visceral, resultando em um corpo que permanece em estado de alerta. Na meia-idade, isso se traduz em um maior risco de doenças cardiovasculares. No entanto, a pesquisa também mostrou que aqueles que aumentaram sua atividade física entre os 31 e 46 anos apresentaram níveis de estresse semelhantes aos que sempre foram ativos.
Os que diminuíram a atividade física ao longo da vida adulta tiveram resultados de estresse quase tão ruins quanto os sedentários. Os autores do estudo ressaltam a necessidade de mais pesquisas para avaliar outros indicadores de estresse. Conclui-se que sedentarismo e estresse estão interligados, e a atividade física é uma intervenção poderosa para proteger a saúde cardiovascular e emocional ao longo dos anos.