O consumo de café é uma prática comum entre os brasileiros, muitas vezes utilizado para aumentar o estado de alerta. Contudo, uma pesquisa publicada na revista Clinical Neurophysiology sugere que a cafeína pode ter um papel mais complexo, afetando a maneira como o cérebro conecta os mecanismos de movimento.
Os pesquisadores investigaram como uma dose típica de cafeína impacta um processo cerebral conhecido como inibição aferente de curta latência (SAI). Esse mecanismo ocorre quando uma sensação, como um toque no punho, diminui a resposta do córtex motor, que é responsável pelo controle dos movimentos. Essa função é crucial para regular a intensidade da ativação muscular, atuando como um sistema de filtragem que evita reações exageradas do cérebro a estímulos.
Para conduzir o experimento, 20 adultos saudáveis, com idades entre 27 e 32 anos, foram recrutados. Cada participante recebeu uma goma de mascar com 200 mg de cafeína ou um placebo, em um estudo duplo-cego. Após a administração, os pesquisadores estimularam o córtex motor com pulsos magnéticos e mediram a SAI utilizando duas técnicas distintas.
Na primeira técnica, chamada amplitude convencional ou A-SAI, foi observado que a cafeína aumentou a capacidade do cérebro de reduzir a resposta muscular após um estímulo sensorial, especialmente entre 19 e 21 milissegundos após a estimulação. Em contraste, a segunda técnica, rastreamento de limiar ou T-SAI, não revelou aumento significativo relacionado à cafeína.
Os pesquisadores sugerem que a cafeína pode atuar bloqueando receptores de adenosina, resultando em um aumento da acetilcolina, um neurotransmissor que desempenha um papel fundamental na integração entre estímulos sensoriais e movimentos. Eles afirmam que
o efeito da cafeína pode resultar de sua modulação do sistema colinérgico, oferecendo pistas sobre sua ação fisiológica e sobre a fisiopatologia de distúrbios cerebrais.