A Polícia Federal (PF) iniciou nesta quinta-feira, 18, a nona fase da Operação Compliance Zero, que tem como alvo principal o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado. A investigação investiga fraudes relacionadas ao Banco Master e a atuação do Partido dos Trabalhadores na Bahia, além de possíveis ligações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o parlamentar.
Além dos endereços de Wagner, a operação também abrange buscas em residências e empresas de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, em locais como Bahia, São Paulo e Brasília. Lima foi responsável por implementar um sistema de crédito consignado para servidores públicos durante o governo de Wagner na Bahia, que posteriormente foi transferido para o Banco Master. O Credcesta era o principal ativo financeiro do banco.
Até o momento, a defesa de Jaques Wagner não se manifestou sobre a operação. Ao todo, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. A decisão inclui medidas cautelares, como a proibição de contato entre os investigados, a suspensão de passaportes e a imposição de monitoração eletrônica.
Esta fase da operação é a primeira a investigar políticos aliados ao presidente Lula. Augusto Lima já havia sido preso na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, mas foi liberado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e não foi alvo de novas fases até agora. A PF suspeita que ele também tenha participado da venda fraudulenta do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Lima é considerado um empresário influente na Bahia, com conexões tanto no PT quanto na oposição.
Em fases anteriores da operação, a PF já havia investigado outros políticos, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.