O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) anunciou que começará a adotar medidas para preservar água nos reservatórios de Itaipu e das hidrelétricas localizadas na região Sul do Brasil. A ação visa garantir uma operação mais estável durante o fenômeno El Niño, que deve se manifestar com forte intensidade neste ano.
A estratégia do ONS é acumular água suficiente para compensar a esperada redução das chuvas na região Norte, onde estão localizados reservatórios cruciais para o abastecimento de energia durante os horários de pico, especialmente no início da noite.
Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, destacou que ainda é difícil prever os efeitos exatos do El Niño. A principal preocupação do operador é a possibilidade de seca na região Norte, onde se encontram usinas fundamentais como Belo Monte, no Pará, e Jirau e Santo Antônio, em Rondônia. Essas usinas são essenciais para o atendimento da demanda de energia quando a geração solar diminui.
Além das hidrelétricas, as usinas térmicas também desempenham um papel importante, embora sejam mais caras e possam elevar os custos da energia. A capacidade de atendimento durante esse período é limitada, o que levou o governo a realizar um leilão controverso para a contratação de mais usinas térmicas, que enfrenta questionamentos judiciais.
Zucarato ressaltou que as hidrelétricas do Sul podem ser aliadas nesse cenário, já que a região está atualmente no período chuvoso. A intenção é armazenar água nos reservatórios para o segundo semestre, quando os níveis nas regiões Sudeste e Centro-Oeste tendem a estar mais baixos.
As regiões Sudeste e Centro-Oeste são consideradas a "caixa d'água" do setor elétrico brasileiro, possuindo cerca de dois terços da capacidade de armazenamento de energia do país. No entanto, também podem ser afetadas por secas em um El Niño forte.
O ONS planeja ainda preservar os reservatórios dos rios Grande e Paranaíba, que formam o rio Paraná, onde está localizada a usina de Itaipu. Zucarato explicou que o objetivo é manter esses reservatórios o mais cheios possível até o início do período chuvoso, visando garantir uma reserva de potência em caso de atrasos nas chuvas.
O diretor do ONS também alertou que pode haver uma necessidade crescente de cortes na geração de energia de pequenas usinas para evitar colapsos no sistema, como ocorreu no primeiro domingo do mês, quando um esquema emergencial foi ativado. Nesse dia, as distribuidoras foram instruídas a reduzir a geração de pequenas centrais hidrelétricas e térmicas a biomassa, já que os cortes nas grandes usinas não foram suficientes.
O ONS está desenvolvendo um protocolo de cortes que poderá afetar fazendas solares, que operam como condomínios de consumidores, mas estão distantes das residências beneficiadas, caso os cortes nas pequenas centrais não sejam adequados.