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Mortalidade por meningite apresenta queda, mas não atinge metas da OMS

Estudo revela que a redução de mortes por meningite globalmente não é suficiente para atingir as metas da OMS até 2030, com 259 mil óbitos registrados em 2023.
Foto: Redução de mortes por meningite não atingirá meta estimada pela OMS

O número de mortes por meningite no mundo está em queda, mas a velocidade dessa redução é inferior ao que a Organização Mundial da Saúde (OMS) esperava. Um estudo publicado na revista The Lancet Neurology, que analisou dados de 2023, concluiu que as iniciativas de combate à doença não são suficientes para alcançar as metas estabelecidas pela OMS para 2030.

O objetivo da OMS é reduzir em 70% as mortes registradas em 2015, quando a meningite causou cerca de 300 mil óbitos. No entanto, o novo estudo aponta que, em 2023, foram contabilizadas 259 mil mortes, um número ainda distante da meta.

O neurologista João Victor Luisi de Moura, do Einstein Hospital Israelita, destacou que a desaceleração no combate à meningite reflete uma estabilização após os ganhos iniciais da vacinação. Ele apontou que fatores como o avanço de sorotipos não cobertos por vacinas, o aumento de casos virais e desigualdades no acesso à imunização dificultam uma queda mais acentuada.

Entendendo a meningite

A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que envolvem o cérebro, causada por infecções bacterianas ou virais. É a principal causa infecciosa de deficiências neurológicas no mundo. O estudo revelou mais de 2,5 milhões de novos casos em 2023, afetando especialmente crianças menores de 5 anos, que representaram mais de um terço das mortes, totalizando 86,6 mil óbitos.

Os sintomas incluem dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço. Os principais agentes causadores em 2023 foram as bactérias Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis, além de enterovírus não poliomielíticos.

Fatores de risco e vacinação

O estudo identificou fatores de risco para mortalidade por meningite, como baixo peso ao nascer, prematuridade e poluição do ar. As condições socioeconômicas também influenciam, com populações de baixa renda apresentando menores coberturas vacinais e dificuldades no acesso a serviços de saúde.

A vacinação é fundamental para o controle da meningite bacteriana, mas a cobertura vacinal é desigual. No Brasil, o calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) inclui vacinas contra as principais bactérias causadoras da doença. Apesar da oferta, muitas vacinas ainda não atingem as metas estabelecidas.

Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou a vacinação com a nova vacina pneumo 20, que protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae. Grupos prioritários incluem crianças menores de 5 anos e idosos.

É importante ressaltar que existem agentes causadores de meningite para os quais não há vacinas disponíveis, como o estreptococo do grupo B, que pode ser transmitido de mãe para filho. O uso indiscriminado de antibióticos também representa um risco, pois pode levar ao surgimento de cepas resistentes.

Diante de qualquer sinal de meningite, é essencial procurar atendimento médico rapidamente.

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