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Médicos alertam sobre uso indiscriminado de tadalafila entre jovens

O uso da tadalafila, medicamento indicado para disfunção erétil, tem crescido entre jovens, gerando preocupações sobre riscos à saúde e dependência psicológica.
Foto: Médicos alertam sobre riscos de tomar tadalafila indiscriminadamente

O uso da tadalafila, medicamento popular entre homens jovens que buscam melhorar o desempenho sexual e entre frequentadores de academias, tem gerado preocupações entre médicos. A substância, que se tornou comum em conversas informais e redes sociais, é indicada principalmente para o tratamento da disfunção erétil, mas seu consumo indiscriminado tem aumentado nos últimos anos.

De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as vendas de tadalafila no Brasil saltaram de 64,7 milhões de caixas em 2024 para 74,9 milhões em 2025. Em 2015, esse número era de apenas 3,2 milhões. Embora não haja dados específicos sobre a faixa etária dos consumidores, especialistas notam um aumento do uso recreativo entre homens mais jovens.

Gustavo Marquesine Paul, coordenador do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), alerta que, embora a tadalafila não cause dependência química, pode levar a uma dependência psicológica, fazendo com que os usuários acreditem que precisam do medicamento para ter um bom desempenho sexual.

Os efeitos adversos mais comuns da tadalafila incluem dor de cabeça, dores musculares, congestão nasal e desconfortos gastrointestinais. Em casos mais graves, pode ocorrer priapismo, alterações visuais e auditivas, além de quedas significativas da pressão arterial, que podem resultar em desmaios.

Fernando Meyer, médico urologista, destaca que o uso da tadalafila por mulheres é considerado off label e deve ser evitado sem avaliação médica. O uso combinado com álcool ou outras substâncias pode aumentar os riscos, potencializando efeitos adversos.

A normalização do uso da tadalafila é influenciada por redes sociais e a pressão por desempenho em diversas áreas da vida. Paul observa que conteúdos pornográficos podem criar expectativas irreais, contribuindo para o uso do medicamento sem orientação médica.

Ricardo, um jovem de 28 anos, relata que tomou a substância em encontros e antes de treinos, afirmando ter sentido uma melhora no desempenho sexual. No entanto, médicos ressaltam que não há evidências científicas que comprovem benefícios do uso da tadalafila em homens saudáveis.

A tadalafila foi desenvolvida para tratar a disfunção erétil e atua inibindo uma enzima que degrada substâncias essenciais para a ereção. Além disso, é utilizada para tratar sintomas urinários associados ao aumento da próstata e hipertensão arterial pulmonar.

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