Profissionais do Hospital Pediátrico Cardiocêntrico William Soler, em Havana, estão diante de decisões difíceis devido à pressão do bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos. A escassez de recursos tem levado médicos a escolher quais crianças receberão tratamento que pode salvar suas vidas.
Durante uma visita de jornalistas da AFP ao hospital, mães com máscaras aguardavam ao lado de seus filhos em quartos mal iluminados. A cardiologista Herminia Palenzuela, de 79 anos, destacou que o hospital, o único do tipo em Cuba, enfrenta dilemas críticos, com crianças em condições menos graves ficando em espera por recursos.
O cardiocentro, que atende recém-nascidos e crianças com cardiopatias críticas, possui 100 leitos, mas a utilização é limitada devido à necessidade de racionar equipamentos e insumos.
Gostaríamos de operar mais, mas os recursos não permitem — afirmou Palenzuela.
Com apagões diários e dificuldades de transporte, o diretor do centro, Eugenio Selman, mencionou que a escassez de medicamentos e equipamentos é um problema antigo, mas a situação atual atingiu "níveis dramáticos".
Yaima Sánchez, mãe de um menino com taquicardia, expressou sua esperança de que os médicos possam atendê-la com o que estiver disponível, embora o equipamento nem sempre funcione devido à falta de baterias.
O Ministério da Saúde informou que mais de 96.000 cubanos, incluindo 11.000 crianças, aguardam cirurgias. Recentemente, o hospital recebeu ajuda humanitária, incluindo medicamentos e alimentos, de um comboio internacional.
A situação crítica levou a ONU a anunciar um plano emergencial de 94,1 milhões de dólares para a importação de combustível e manutenção de serviços essenciais, com alertas sobre a possível perda de vidas se a situação não melhorar.