Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Scientific Reports em abril de 2023 revelou que pessoas com diabetes que contraíram Covid-19 enfrentam uma recuperação mais lenta e apresentam mais complicações relacionadas à Covid longa. Os resultados indicam que esses pacientes necessitam de acompanhamento médico por um período mais extenso.
A pesquisa acompanhou 870 pacientes diabéticos durante sete meses após a internação hospitalar. Os dados mostram que, além de demorarem mais para se recuperar do vírus, esses indivíduos enfrentam um risco elevado de doenças cardiovasculares, como infarto e angina, em comparação aos pacientes não diabéticos.
Os pacientes diabéticos também apresentaram uma qualidade de vida inferior, com aumento da fragilidade, maior incidência de quedas, dificuldades de mobilidade, piora na capacidade de realizar atividades físicas e diminuição em aspectos físicos e cognitivos.
Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Clínicas de São Paulo, destacou que o diabetes não é apenas um fator de risco para a Covid-19 aguda, mas também compromete a qualidade de vida a longo prazo. Ela enfatizou a necessidade de um sistema de saúde adequado para atender essa população, a fim de evitar que os sobreviventes fiquem presos em um ciclo de reinternações.
Para chegar a esses resultados, os pesquisadores analisaram 320 pacientes com diabetes mellitus e 550 sem a doença, todos parte de um estudo maior realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que incluiu mais de 3 mil pacientes internados entre março e setembro de 2020, durante a primeira fase da pandemia.
Sete meses após a alta hospitalar, os pacientes foram submetidos a uma avaliação médica completa. Os resultados mostraram que 94,3% dos pacientes sem diabetes apresentaram recuperação completa, enquanto apenas 89,8% dos pacientes diabéticos conseguiram a mesma recuperação.
O estudo também revelou que os diabéticos enfrentam um estresse cardiovascular significativo devido à infecção, com inflamação agravada pela toxicidade do coronavírus, tornando o coração um dos principais alvos.
Cerca de 21% dos pacientes diabéticos relataram quedas após a alta, em comparação a 11,1% dos não diabéticos. Além disso, 7,3% dos indivíduos sem diabetes que participaram do estudo desenvolveram a doença, sugerindo que a infecção pode ter desencadeado diabetes em pessoas predispostas.
Maria Elizabeth ressaltou a importância de entender como a Covid-19 impacta o diabetes ao longo do tempo.