O empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo fez declarações polêmicas sobre o voto feminino em um vídeo publicado em seu canal no YouTube na quinta-feira (25). Ele afirmou que as mulheres votam muito mal, especialmente as solteiras, enquanto as casadas tendem a seguir o voto dos maridos.
Figueiredo também criticou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, chamando-a de feminista. Em sua fala, ele sugeriu que quem não concordasse com suas opiniões poderia "arrancar os pentelhos das calcinhas". Os comentários foram destacados pelo colunista Celso Rocha de Barros.
Após a repercussão, Figueiredo reiterou sua posição em uma postagem no X (Twitter) na segunda-feira (29), onde afirmou:
Deixa eu me retratar: mulher não vota muito mal, mulher vota mal PARA CARALHO. Especialmente as solteiras.
Ele ainda criticou a Folha de S.Paulo e fez referência ao feminismo como uma ideologia que, segundo ele, está "destruindo a vida das mulheres".
No mesmo dia, Michelle Bolsonaro havia publicado vídeos nas redes sociais, onde relatou ter sofrido ataques de seus enteados devido a divergências políticas sobre a chapa eleitoral no Ceará. Ela mencionou ter sido desrespeitada pelo senador Flávio Bolsonaro, que é o candidato escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a disputa presidencial.
Figueiredo, que é neto do último presidente da ditadura militar no Brasil, João Figueiredo, vive nos Estados Unidos e tem se posicionado como uma ponte entre o governo Donald Trump e a família Bolsonaro. Durante sua transmissão, ele comentou sobre a rejeição de Flávio entre o eleitorado feminino, afirmando que
onde o Flávio vai pior é justamente no eleitorado feminino
.
De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, o ex-presidente Lula lidera entre as mulheres com 52% contra 37% de Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno. No eleitorado masculino, Flávio tem uma leve vantagem, com 50% contra 41%.
Figueiredo também fez críticas ao feminismo, afirmando que muitas mulheres confundem a busca por igualdade de direitos com a ideologia feminista, que, segundo ele, é de matriz marxista. Ele argumentou que, em geral, a esquerda se sai melhor entre o eleitorado feminino.
A campanha de Flávio Bolsonaro tem buscado maneiras de mitigar a rejeição entre as mulheres, incluindo a possibilidade de indicar uma mulher como vice na chapa presidencial. A pesquisa Datafolha revelou que 53% das eleitoras afirmaram que não votariam em Flávio no primeiro turno.
Historicamente, o ex-presidente Jair Bolsonaro também enfrentou rejeição entre as mulheres, tendo feito declarações consideradas machistas ao longo de sua carreira política.
A troca de farpas entre Paulo Figueiredo e a senadora Damares Alves, que foi ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, também expôs divisões dentro da direita.