Marine Le Pen, líder da ultradireita francesa e atual favorita nas pesquisas de intenção de voto, poderá participar das eleições presidenciais de 2027, mas com a imposição de uma tornozeleira eletrônica. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Apelações de Paris nesta terça-feira (7), que negou parcialmente um recurso da política contra uma condenação por peculato.
O tribunal determinou três anos de prisão, dos quais dois anos foram suspensos, e um ano de uso do dispositivo eletrônico. Além disso, Le Pen foi declarada inelegível por 45 meses, com a suspensão da pena por 30 meses, e deverá pagar uma multa de € 100 mil (cerca de R$ 580 mil).
A situação levanta questões sobre a viabilidade de uma campanha eleitoral sob monitoramento judicial, o que pode levar Le Pen a considerar ceder sua candidatura a Jordan Bardella, atual presidente do Reunião Nacional e figura popular dentro do partido.
Le Pen, que já foi condenada em 2025 por utilizar € 1,4 milhão (aproximadamente R$ 8,1 milhões) de recursos do Parlamento Europeu para pagar funcionários de seu partido, ainda pode tentar um novo recurso na Corte de Cassação, embora tenha indicado anteriormente que não pretende prolongar o processo.
Em depoimento ao tribunal, a parlamentar negou ter mantido um esquema fraudulento, mas reconheceu erros na gestão de seus assistentes parlamentares. A expectativa é que Le Pen e seus aliados critiquem a decisão judicial, que impacta diretamente sua candidatura.
O Tribunal de Apelações justificou sua decisão afirmando que considerou "a liberdade de escolha do eleitor" e que, na época dos fatos, as penas de inelegibilidade não eram obrigatórias. A eleição de 2027, marcada para abril, será a quarta tentativa de Le Pen pela presidência, em um cenário onde ela possui maior popularidade do que nas eleições anteriores.
O presidente Emmanuel Macron, que não pode mais concorrer após dois mandatos, comentou que é saudável para a democracia que o presidente não se pronuncie sobre decisões judiciais.
Marine Le Pen, filha de Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional, tem trabalhado nos últimos anos para tornar seu partido mais aceitável ao eleitorado francês. Em 2022, mesmo sem vencer, conseguiu eleger 143 deputados, a maior bancada do atual Parlamento francês.
Jordan Bardella, com 30 anos, é visto como uma nova face do partido, defendendo as bandeiras da ultradireita e mantendo uma presença ativa nas redes sociais.