Em uma residência modesta no Paranoá, região administrativa do Distrito Federal, a vida de Dona Francisca mudou drasticamente desde que seu filho foi condenado a mais de 16 anos de prisão por envolvimento com o grupo radical islâmico Hezbollah e por planejar atos de terrorismo. Desde novembro de 2023, ela não tem contato direto com ele, comunicando-se apenas por meio de recados.
A transformação na vida da família começou em uma manhã de novembro, quando a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão em sua casa. Sem entender a situação, Dona Francisca abriu a porta e, a partir daquele momento, descobriu uma faceta do filho que nunca havia conhecido.
Sentada em uma cadeira de rodas e com um olhar apreensivo, Dona Francisca aceitou falar sobre a história do filho, expressando seu desejo de que ele retorne logo para casa.
Se isso puder ajudar ele de alguma forma, eu falo. Só quero que ele saia logo de lá — disse.
A prisão do filho, que ocorreu após ele desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após uma viagem ao Líbano, expôs uma vida que até então era desconhecida pela família. Em setembro de 2024, ele foi condenado a 16 anos, seis meses e 22 dias de prisão por integrar uma organização terrorista e planejar ataques contra a comunidade judaica no DF.
Segundo o Ministério Público Federal, entre novembro de 2022 e abril de 2023, o brasiliense se uniu voluntariamente ao Hezbollah, realizando viagens ao Líbano com o apoio financeiro de um sírio naturalizado brasileiro, que é investigado por financiar atividades extremistas.
Dona Francisca relembra a infância do filho, que cresceu no Paranoá e, após a separação dos pais, passou a morar com o pai. Ele era um menino trabalhador, que ajudava o pai em uma feira local. A morte do pai, quando o filho tinha apenas 14 anos, foi um momento difícil, e a mãe acredita que o luto pode ter influenciado seu comportamento.
Após completar 18 anos, o jovem começou a se envolver em atividades problemáticas, incluindo o uso de álcool e um primeiro episódio de prisão por porte ilegal de arma. Mesmo casado e morando em outro lugar, ele continuava a visitar a mãe com frequência, prometendo ajudá-la financeiramente.
Dona Francisca compartilha que seu filho alegou que viajava ao Líbano em busca de trabalho para arrecadar dinheiro para sua cirurgia, que ainda não foi realizada. A prisão dele trouxe uma nova onda de preocupação e problemas de saúde para a mãe, que já enfrenta dificuldades.
A condenação, proferida pela 2ª Vara Federal Criminal de Minas Gerais, revelou que o filho pesquisou locais judaicos em Brasília e participou de treinamentos de tiro, atividades que ele nunca havia mencionado à família.
Eu espero que, se o juiz tiver filhos, ele saiba o que eu estou sentindo. Eu espero que meu filho volte logo para casa — concluiu Dona Francisca.
Fonte: Metropoles