O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou um investimento de R$ 60 milhões para pesquisas voltadas à saúde menstrual e ao tratamento da endometriose. A iniciativa, divulgada nesta terça-feira (9/6), busca enfrentar os desafios enfrentados por mulheres em idade reprodutiva que sofrem com essa condição.
Dados do governo federal indicam que entre dois e oito milhões de mulheres no Brasil convivem com a endometriose, uma doença que pode impactar significativamente a rotina diária, afetando o desempenho em ambientes de trabalho e escolares. A ministra do MCTI, Luciana Santos, destacou a importância do projeto, afirmando que ele representa um passo fundamental para lidar com a realidade de muitas mulheres que enfrentam o estigma e a falta de compreensão sobre a doença.
Do total do investimento, R$ 50 milhões serão destinados pelo MCTI, através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para soluções que serão implementadas no Sistema Único de Saúde (SUS). O restante, R$ 10 milhões, será aportado pelo Instituto Alana. Luciana Santos enfatizou que o objetivo é garantir qualidade de vida para as mulheres, que muitas vezes não frequentam a escola ou o mercado de trabalho devido à condição.
Atualmente, a abordagem da endometriose no SUS e em consultórios privados é considerada precária, resultando em diagnósticos incorretos e tratamentos inadequados. A ministra mencionou que um protocolo estabelecido há cerca de um ano visa enfrentar esses desafios, buscando melhorar a assistência às pacientes.
O ministro Alexandre Padilha também comentou sobre a parceria, ressaltando que ela representa um avanço significativo e trará mais recursos para a saúde da mulher. Ele afirmou que o compromisso do governo é construir uma política pública robusta, que mobilize pesquisadores para desenvolver soluções tecnológicas para o SUS.
Em 2025, o MCTI e o Instituto Alana firmaram um protocolo para criar uma rede de cientistas focada em endometriose e saúde menstrual. Com o lançamento do edital, a meta é estruturar uma rede nacional de pesquisa, permitindo a participação de universidades e institutos federais. Os dados coletados ajudarão a mapear a situação no país e a desenvolver protocolos de assistência.
Além disso, o governo federal está implementando políticas públicas para aumentar a presença feminina nas áreas científicas, com um investimento de R$ 1,7 bilhão. Apesar dos avanços, a ministra Luciana Santos reconheceu que ainda existem desafios para a permanência e ascensão das mulheres na ciência.