O governo dos Estados Unidos formalizou a acusação contra Raúl Castro, ex-presidente de Cuba, em conexão com uma rede de espiões cubanos desmantelada em 1998. Conhecida como Rede Vespa, essa operação tinha como objetivo infiltrar-se em organizações anticastristas na Flórida, visando monitorar e repassar informações para Havana. Na época, Cuba enfrentava os efeitos do colapso da União Soviética, o que levou o governo a apostar no turismo como forma de sustentar a economia, apesar de ataques terroristas financiados pelos EUA.
Um grupo de cubanos foi enviado aos EUA pelo Partido Comunista de Cuba com a missão de evitar esses ataques. Muitos entraram no país como desertores, unindo-se a exilados em Miami. Um dos infiltrados foi Juan Pablo Roque, que desertou em 1992 e se integrou ao grupo Brothers to the Rescue, que buscava resgatar cubanos em balsas. No entanto, após um acordo migratório entre os EUA e Cuba, o foco da organização mudou, levando a voos sobre o espaço aéreo cubano.
Em 24 de fevereiro de 1996, dois aviões da Brothers to the Rescue foram abatidos por caças cubanos, resultando na morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos dos EUA. Na época, Raúl Castro era ministro da Defesa e foi acusado de conspiração para matar cidadãos norte-americanos e destruição de aeronaves. A versão cubana afirmava que o incidente ocorreu em seu espaço aéreo, enquanto os EUA contestaram, alegando que foi em águas internacionais.
A suspeita é que Juan Pablo Roque, que retornou a Cuba um dia antes do incidente, tenha fornecido informações que facilitaram o abate, embora ele nunca tenha confirmado isso. Dois anos após o incidente, o FBI desmantelou a Rede Vespa, resultando na prisão de 10 membros do grupo em Miami, com penas que variaram de 15 anos a prisão perpétua.