Os exames preventivos desempenham um papel crucial na diminuição das mortes por doenças crônicas, permitindo a identificação de problemas de saúde antes que os sintomas se manifestem. No entanto, observa-se uma disparidade nos consultórios: enquanto alguns pacientes ignoram cuidados básicos, outros realizam exames desnecessários.
A clínica geral Mariane Pamplona, da Tivolly, em Brasília, destaca que não existe um modelo de 'check-up' que se aplique a todos. Ela afirma que o rastreio deve ser individualizado, levando em conta fatores como idade, sexo, histórico familiar e estilo de vida.
Para os jovens, a prioridade deve ser a detecção precoce de fatores de risco, com exames como hemograma, glicemia e colesterol. A partir dos 40 anos, a necessidade de acompanhamento se intensifica, incluindo avaliações cardiovasculares e rastreamento de câncer.
A endocrinologista Maria Helane Gurgel, da Dasa, reforça que não há uma lista universal de exames. O acompanhamento deve ser adaptado, combinando avaliações clínicas e laboratoriais conforme a necessidade de cada paciente.
A crença de que 'quanto mais exames, melhor' não se sustenta na medicina baseada em evidências. O excesso de exames pode resultar em falsos positivos, levando a investigações desnecessárias e procedimentos invasivos. Mariane alerta que exames desnecessários podem gerar ansiedade e sobrediagnóstico, identificando condições que não afetariam a vida do paciente.
Doenças silenciosas, como hipertensão, diabetes tipo 2 e algumas formas de câncer, frequentemente não apresentam sintomas por anos, sendo detectadas apenas por meio de exames preventivos. O rastreamento é vital para aumentar as chances de tratamento eficaz.
Além disso, o estilo de vida impacta diretamente na necessidade de acompanhamento. Fatores como sedentarismo, alimentação inadequada e consumo de álcool podem exigir uma vigilância mais atenta. Maria Helane enfatiza que quanto maior o risco associado ao estilo de vida, maior a necessidade de acompanhamento.
Apesar da importância, exames simples, como aferição da pressão arterial e controle de glicemia, continuam sendo negligenciados pela população, embora sejam fundamentais para a saúde pública.