Localizado no Parque Solon de Lucena, no Centro de João Pessoa, o Cassino da Lagoa é um espaço que une a história da Paraíba, tradição, política e patrimônio gastronômico. Construído em 1939 e inaugurado em 1940, o restaurante se tornou um símbolo do desenvolvimento urbano da capital paraibana ao longo do século XX.
O historiador Emílio Figueiredo explica que o local foi inicialmente concebido como "Cassino de Verão" e faz parte de um plano de intervenção urbana durante o governo de Getúlio Vargas (1930-1945). O prédio, uma das primeiras obras a utilizar concreto armado na Paraíba, reflete a influência de Roberto Burle Marx no paisagismo urbano da cidade.
Originalmente, a intenção era criar uma casa de convivência para bailes e concertos. O restaurante e a fonte luminosa foram inaugurados em 1940, durante as comemorações do aniversário do governo Argemiro de Figueiredo, com projeto arquitetônico assinado por Clodoaldo Gouveia. O Cassino se tornou um símbolo de sofisticação e modernidade.
Na década de 1940, o Cassino da Lagoa era o epicentro da vida social em João Pessoa, oferecendo bailes de gala e danças de salão. Contudo, com a proibição dos jogos de azar em 1946, o espaço precisou se reinventar, transformando-se em um dos restaurantes mais tradicionais da cidade.
Entre as décadas de 1950 e 1960, o Cassino continuou a ser um ponto de destaque, acompanhando as mudanças políticas e sociais da Paraíba. Em 1969, consolidou-se como "Restaurante Cassino da Lagoa", atraindo a alta sociedade, empresários e políticos.
O espaço também foi um importante cenário político, especialmente na década de 1960, quando abrigou o Clube do Estudante Universitário, tornando-se um ponto de resistência durante a Ditadura Militar. O local era palco de debates políticos, reuniões estudantis e manifestações culturais.
Nos anos 1980, o Cassino manteve sua relevância como espaço de sociabilidade política informal. Com reformas e revitalizações realizadas pela Prefeitura entre 2014 e 2016, o entorno do restaurante se transformou em um local de contemplação e cultura.
Atualmente, o Cassino da Lagoa permanece aberto diariamente e continua a atrair turistas, jornalistas e artistas, mantendo sua importância cultural e gastronômica. O historiador Emílio Figueiredo observa que, embora o espaço não tenha mais o mesmo peso político de outrora, ele preserva a história da cidade e a memória urbana de João Pessoa.