A greve dos estudantes da USP (Universidade de São Paulo) se expandiu para 15 faculdades e institutos, tanto na capital quanto no interior. Na noite de sexta-feira, assembleias aprovaram a adesão ao movimento em diversas unidades, incluindo os institutos de relações internacionais, física e ciências biomédicas, além das faculdades de Ciências Farmacêuticas, Educação e a Escola de Comunicação e Artes (ECA).
A paralisação já contava com o apoio da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), da Escola de Enfermagem e dos institutos de química, psicologia, geociências e oceanografia. Surpreendentemente, alunos da Escola Politécnica, tradicionalmente avessos a greves, também decidiram participar, com 322 votos a favor e 224 contra.
Na quarta-feira, graduandos da FAUD (Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design) e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (USP Leste) já haviam aprovado sua adesão ao protesto. Outras faculdades ainda devem deliberar sobre a participação, embora o curso de medicina veterinária tenha decidido não aderir. A USP possui 42 unidades de ensino e pesquisa.
Os estudantes em greve reivindicam melhores condições de permanência, incluindo o aumento do valor das bolsas, e expressam preocupações sobre a qualidade dos serviços nos restaurantes universitários. Recentemente, surgiram denúncias de refeições estragadas e com larvas, especialmente na Faculdade de Direito, onde os serviços são terceirizados.
A greve conta com o apoio do DCE (Diretório Central dos Estudantes). Outro ponto de insatisfação é uma minuta que visa regulamentar os espaços utilizados por centros acadêmicos, o que pode impactar o comércio realizado por essas entidades.
Os servidores da USP também estavam em greve, com foco em um bônus aprovado para professores, denominado Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas). Essa medida, aprovada pelo Conselho Universitário, cria um pagamento adicional de R$ 4.500 para docentes que assumirem projetos estratégicos, com um impacto anual de R$ 238,44 milhões nos cofres da universidade.
O salário inicial de um professor-doutor na USP é de R$ 16.353,01 mensais, e a bonificação representaria um acréscimo de 27,5% nesses vencimentos. O movimento estudantil foi impulsionado por essa gratificação, e os alunos também realizaram paralisações, com mais de 100 cursos participando.
O DCE afirmou que, nos próximos dias, todos os cursos e campi devem se reunir para discutir a possibilidade de greve.
Achamos que a mobilização é irreversível e só saímos com conquistas concretas
, disseram representantes do DCE.
Em resposta às reivindicações, o reitor da USP destacou que a gratificação visa valorizar as atividades acadêmicas e a carreira docente. Ele também mencionou que a instituição está analisando propostas de valorização para servidores técnico-administrativos e anunciou reajustes nos benefícios concedidos a esses servidores.
Sobre a permanência estudantil, a USP informou que, em 2023, foi estabelecida uma política para apoiar a permanência e as atividades de formação estudantil, incluindo bolsas e auxílios. A seleção dos alunos contemplados considera a vulnerabilidade socioeconômica.
Em relação aos restaurantes universitários, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento afirmou que equipes técnicas estão investigando as ocorrências relatadas pelos estudantes e que medidas administrativas estão sendo tomadas.