O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou, nesta terça-feira (9), uma chamada pública voltada para projetos estruturantes relacionados à endometriose e à saúde menstrual. A iniciativa, realizada em parceria com o Instituto Alana e o CNPq, destinará R$ 60 milhões para pesquisas na área, com o intuito de estabelecer uma rede nacional de estudos que fortaleça o Sistema Único de Saúde (SUS).
Esse investimento representa o maior montante já alocado no Brasil para a pesquisa sobre endometriose e condições associadas à saúde menstrual. A ministra Luciana Santos, do MCTI, destacou a importância do projeto ao afirmar que ele aproxima a ciência da realidade cotidiana da população. Ela ressaltou que o objetivo é fortalecer grupos de pesquisa, desenvolver novos métodos de diagnóstico e estratégias de prevenção, aprimorar tratamentos e estruturar biorepositórios.
Além disso, a ministra enfatizou a necessidade de compreender os impactos sociais e econômicos da endometriose para eliminar estigmas, promover equidade e fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas. Ana Lucia Vilela, presidente do Instituto Alana, também comentou sobre a relevância do tema, mencionando que 65% das meninas brasileiras enfrentam dores menstruais que afetam suas rotinas e que 75% das mulheres com dores intensas recebem o diagnóstico de endometriose apenas uma década após o início dos sintomas.
A primeira-dama Janja Lula da Silva participou do evento e compartilhou que, ao discutir a questão com o presidente Lula, ele não tinha conhecimento sobre a endometriose, ressaltando a invisibilidade do tema quando se trata da saúde das mulheres.
A endometriose é uma condição caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio em locais fora do útero, como ovários e intestinos, e pode causar diversos problemas na vida da mulher, incluindo impactos na saúde mental, vida sexual e relações pessoais. Os principais sintomas incluem cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual, infertilidade e queixas intestinais e urinárias cíclicas.
O diagnóstico definitivo da endometriose é realizado por meio de laparoscopia. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também esteve presente no lançamento e destacou que cerca de 8 milhões de mulheres, incluindo adolescentes, são afetadas pela condição, que ainda recebe pouca atenção no SUS. Ele lembrou que o primeiro protocolo para o tratamento da endometriose, com financiamento específico, foi implementado em 2025.