A Finlândia confirmou sua adesão ao escudo nuclear oferecido pela França, tornando-se a décima nação europeia a participar da Iniciativa de Dissuasão Nuclear Avançada, proposta pelo presidente Emmanuel Macron em março. Essa iniciativa visa proporcionar uma alternativa de defesa aos países europeus diante da ameaça percebida da Rússia.
Historicamente, os Estados Unidos foram os responsáveis pela dissuasão nuclear na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. No entanto, a recente postura do ex-presidente Donald Trump levantou questionamentos sobre esse arranjo, ao pressionar os aliados europeus a aumentarem seus gastos militares.
A adesão da Finlândia ocorre em um momento em que há preocupações sobre a continuidade das agressões da Rússia, especialmente após a invasão da Ucrânia em 2022. Embora a aliança militar Otan preveja a defesa mútua, a confiança na disposição dos EUA em proteger a Europa tem sido abalada.
Em resposta, Macron, que possui um dos maiores arsenais nucleares do mundo, ofereceu a possibilidade de compartilhamento de sua capacidade nuclear com os países vizinhos. A França, que conta com cerca de 290 ogivas ativas, tem um sistema de comando separado do da Otan, embora faça parte da aliança.
Além da Finlândia, outros países como Reino Unido, Alemanha, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia, Noruega e Dinamarca também integram o escudo nuclear francês. A Finlândia, que possui a maior fronteira da Otan com a Rússia, já havia aprovado uma lei que permite o posicionamento de armas da Otan em seu território.
Recentemente, a Lituânia anunciou mudanças em sua Constituição para permitir a instalação de armas nucleares, enquanto a Polônia solicitou a presença de bombas táticas dos EUA em suas bases. A escalada militar na região tem gerado preocupações, especialmente após incidentes próximos à fronteira com a Ucrânia.
Em uma cúpula sobre segurança no Ártico, 12 países europeus pediram um aumento nos investimentos na região para contrabalançar a presença militar russa. A premiê dinamarquesa expressou a expectativa de cooperação pacífica com os Estados Unidos, em meio a tensões sobre a Groenlândia.
Fonte: Noticiasaominuto