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Feira de Cordel em João Pessoa celebra cultura nordestina

A Prefeitura de João Pessoa, por meio da sua Fundação Cultural (Funjope) e em parceria com o Coletivo Palmas, inicia, neste final de semana, a Feira de Cordel. A programação acontece no Busto de Tamandaré, nesta sexta.....
Foto: Joaopessoa

A Prefeitura de João Pessoa, por meio da sua Fundação Cultural (Funjope) e em parceria com o Coletivo Palmas, inicia, neste final de semana, a Feira de Cordel. A programação acontece no Busto de Tamandaré, nesta sexta-feira (29) e sábado (30) e segue dias 5 e 6 de junho, sempre a partir das 17h, com exposição de cordéis e xilogravuras, apresentações de cordelistas e muito arrasta-pé com os trios de forró.

Este é o quinto ano em que realizamos a Feira de Cordel e isso nos deixa com o coração cheio de contentamento porque estamos valorizando as culturas, as memórias populares de identidade regional. A literatura de cordel tem uma longa história, não apenas em João Pessoa, mas em toda a Paraíba, e nós primamos sempre em atrair cordelistas de diversos municípios como forma de mostrar a grandiosidade dessa cultura

, iniciou o diretor executivo da Funjope, Marcus Alves.

Ele aproveitou para reconhecer o empenho de todas as pessoas que participam do processo:

Agradeço muito a todos os envolvidos, sobretudo, ao prefeito Leo Bezerra pelo estímulo e todo o esforço e trabalho de continuidade da nossa política municipal de cultura, sempre valorizando a diversidade e a multiplicidade das artes e das culturas de João Pessoa

.

A cordelista Claudeth Gomes, que está à frente do Coletivo Palmas e também é colaboradora na Organização dos Poetas Cordelistas do Polo, ressaltou que a população terá dois finais de semana com muita diversão na Feira de Cordel, com representantes dos municípios de João Pessoa, Guarabira, Pilar, São José dos Ramos e São Miguel de Taipu.

Este é um evento de suma importância para a valorização, reconhecimento e projeção dentro desse cenário cultural da cadeia produtiva do cordel e das poéticas orais. O governo municipal vem, a cada ano, preservando o compromisso e enaltecendo, valorizando cada vez mais essa cadeia com muita cultura e tradição, valorizando e reconhecendo não só os artistas, mas também presenteando a população local e o turista, motivando o consumo da produção cultural local. Isso é muito gratificante porque valoriza essa cadeia criativa

, observou.

A expectativa – conforme a cordelista – é levar cada vez mais a poesia e enaltecer a cadeia produtiva do cordel e das poéticas orais, permitindo ao público local e também aos turistas conhecer um pouco mais desse trabalho.

Esperamos ter o fortalecimento das nossas vendas e o reconhecimento do nosso trabalho

, acrescentou.

Sexta-feira – A programação desta sexta-feira (29) conta com as participações dos cordelistas Assis Freitas e Chico Mulungu – que vão mostrar a arte da literatura de cordel – e o trio de forró Porta do Sol, com sua música tradicional nordestina.

Natural do município de Sousa e radicado em Campina Grande, Assis Freitas ressaltou que o cordel é muito significativo e que esta tradição não pode morrer com o tempo. “Agora eu vejo que está reacendendo. Essa iniciativa da Funjope dá uma força muito grande, incentiva o público a buscar mais esse tipo de leitura. Além disso, nós, cordelistas, nos sentimos mais animados, valorizados e aceitos”, afirmou. Ele destacou que os jovens têm demonstrado mais interesse pela literatura de cordel e afirmou que incentivar esse público é uma forma de multiplicar a cultura do cordel.

Representando o município de Guarabira, o cordelista Chico Mulungu também integra a programação desta sexta-feira. Membro da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, ele ressaltou que a Feira de Cordel já se tornou tradicional em João Pessoa.

Tenho tido a felicidade de ser convidado para a Feira de Cordel e acho que é muito salutar e enriquecedor para o cordelista que tem a oportunidade de expor seus cordéis, seus livros e suas obras nessa exposição

, comemorou.

Diretor do Memorial do Cordel de Guarabira, ele também destacou que o evento é uma oportunidade para o público conhecer a literatura de cordel e prestigiar os cordelistas, e ressaltou ainda como o cordel se destaca nos dias atuais:

O cordel não é um produto desconectado com o seu tempo, não é uma literatura que cheira a mofo, não é uma literatura de velho. O cordel é atual e dialoga com a sociedade — destacou.

Geimison Bronzeado, integrante do trio Porta do Sol, considera a Feira de Cordel um momento especial para a cultura, não só do cordel, mas também para a música. “Esse evento é de extrema importância, pois, com a força da mídia global, cada vez sobra menos espaço para a cultura popular. O poder público exerce papel fundamental nessa divulgação, principalmente os órgãos de fomento à cultura, como a Funjope, que abre espaço para os movimentos originários da nossa região Nordeste”, observou.

Ele enfatizou que os integrantes do grupo se sentem lisonjeados por fazer parte da iniciativa, e vão apresentar um repertório que inclui xote, baião e xaxado de artistas como Antônio Barros e Cecéu, Pinto do Acordeon, Dominguinhos, Santanna – o Cantador, Flávio José.

Esperamos um grande público para aproveitar esse evento que muito contribui para nossa cidade

.

Sábado – Neste sábado (30), o público vai poder conferir as apresentações dos cordelistas Robson Jampa, representante do Coletivo Palmas, e Dalva Mendonça, que integra o mesmo grupo, além do forró animado do grupo Tamborete de Forró.

De João Pessoa, Robson Jampa afirmou que a Feira de Cordel tem grande relevância para os autores que atuam na área da literatura de cordel:

O evento é importante para a valorização desta tradição nordestina, dos nossos artistas do cordel e da cadeia produtiva que envolve a nordestinidade em torno do evento — afirmou.

Ele enfatizou que o evento tem contribuído de forma significativa para ampliar o alcance dessa literatura:

A Feira de Cordel deu mais visibilidade e força ao cordel aqui na capital, porque soma o trabalho individual de cada artista que está se apresentando e expondo e vira uma manifestação coletiva desta arte, além de atrair o público

, constatou.

Eu sou Dalva Mendonça, estrela da poesia. Participar da Feira de Cordel é uma imensa alegria, no Busto de Tamandaré, sentindo a brisa fria

. Assim, se apresenta a cordelista Dalva Mendonça, que é do município de São José dos Ramos. Para ela, a Feira de Cordel tem importância fundamental para a divulgação do trabalho dos cordelistas.

Através da Feira de Cordel, ganhamos conhecimentos e mostramos a beleza de cada poesia. Através deste espaço, mostramos para o mundo cada inspiração. Em cada lugar podemos apresentar a história de um povo acolhedor e a cada momento vamos colaborar e incentivar crianças, jovens e adultos. Com a ajuda da Funjope, podemos ir longe. É uma honra participar de um evento grandioso como esse. Agradeço a Deus por ter me dado forças para seguir. Um abraço poético à Funjope e a toda equipe de colaboradores — comentou.

O momento musical deste sábado será comandado pelo grupo Tamborete de Forró, sob a batuta do músico Preto Guarabira, que promete um repertório com músicas que mexem com a memória afetiva do público e não deixam ninguém parado. Entre elas, estão clássicos de Luiz Gonzaga, como Noites Brasileiras e Sanfona Sentida, além de sucessos de Dominguinhos, Sivuca e Jackson do Pandeiro.

O evento promovido pela Funjope é de extrema importância porque valoriza a cultura de raiz e dá visibilidade aos trios de forró tradicionais. Para o Tamborete de Forró, participar desse espaço significa fortalecer a nossa identidade musical e nos conectar diretamente com um público que ama e respeita as nossas tradições nordestinas. É uma vitrine fundamental para o nosso trabalho — disse.

Ele destacou que, além de dar mais espaço para a literatura de cordel, a Feira de Cordel também oferece uma oportunidade valiosa aos trios de forró:

A literatura de cordel e o forró caminham de mãos dadas, pois ambos nasceram da mesma essência popular. Ao abrir espaço para os trios de forró, a Feira de Cordel cria uma experiência cultural completa. Essa união mostra que o evento não é apenas sobre livros, mas sim sobre a celebração e a preservação de toda a riqueza cultural do Nordeste

.

Confira a programação

29/05 (sexta-feira)

Cordelistas Assis Freitas e Chico Mulungu

Trio Porta do Sol

30/05 (sábado)

Cordelistas Robson Jampa e Dalva Mendonça

Grupo Tamborete de Forró

05/06 (sexta-feira)

Cordelistas Leonardo Leal (Mané Gostoso) e Vanvan Costa

Helinho Medeiros – sanfoneiro

06/06 (sábado)

Cordelistas Verônica Adelino e Claudeth Gomes

Trio Fulô de Mussambê.

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