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Fachin considera assumir casos do Banco Master e INSS para apaziguar STF

O presidente do STF, Edson Fachin, avalia intervir nas investigações do Banco Master e INSS, atualmente sob relatoria de André Mendonça, para reduzir tensões internas.
Foto: Getty Images

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, está considerando a possibilidade de assumir diretamente as investigações do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que atualmente estão sob a relatoria do ministro André Mendonça. Essa medida é vista como uma tentativa de mitigar a crescente tensão entre Mendonça e Alexandre de Moraes, visando preservar a estabilidade da Corte.

No último domingo, Fachin se reuniu com sua equipe para discutir alternativas diante do conflito que se tornou público na semana anterior. O presidente do STF pediu que sua equipe avaliasse as opções jurídicas e regimentais que poderiam permitir uma intervenção sem necessariamente retirar a relatoria integral dos processos de Mendonça.

Uma das possibilidades em análise é que Fachin assuma apenas atos específicos relacionados às medidas envolvendo Moraes, mantendo os processos sob a responsabilidade de Mendonça. Essa estratégia remete a uma ação anterior de Fachin, que retirou de Moraes um pedido de investigação contra Mendonça.

A crise ganhou novos contornos na terça-feira, quando Mendonça decidiu afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Essa decisão foi analisada pela Segunda Turma do STF, que chegou a formar maioria, mas o julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Esse episódio aumentou a pressão sobre Fachin, que busca evitar que o confronto entre os dois ministros prejudique ainda mais a imagem institucional do Supremo.

Conflito entre Moraes e Mendonça

A disputa entre Mendonça e Moraes se intensificou após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que apontava Moraes como interlocutor do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As mensagens reveladas mostram que Vorcaro manteve contato com Moraes pouco antes de sua prisão, discutindo encontros. O empresário foi preso em 17 de novembro de 2025, quando tentava deixar o país.

Após a divulgação do relatório por Mendonça, Moraes determinou a abertura de uma apuração contra o colega, com base em um documento da Polícia Federal que, segundo o próprio relatório, não teria valor probatório. Mendonça, por sua vez, indicou que poderia levar a discussão sobre a investigação contra Moraes ao plenário do STF.

Diante desse impasse, Fachin já havia retirado do inquérito das fake news o pedido de Moraes para investigar Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade e improbidade administrativa.

Fachin busca equilíbrio institucional

De acordo com fontes próximas a Fachin, a intenção do presidente do STF não é favorecer um dos lados, mas sim reduzir os poderes de reação dos grupos envolvidos no conflito. No entanto, a margem para uma intervenção é considerada estreita, uma vez que a Presidência do STF precisa encontrar uma fundamentação jurídica para assumir atos que estão sob a relatoria de outro ministro.

Na sexta-feira, Fachin defendeu o encerramento do inquérito das fake news, aberto em 2019, e reiterou a necessidade de um código de ética para o tribunal. Durante um encontro no Palácio do Planalto, ele afirmou que não pretende agir de forma precipitada, mas também não ficará omisso diante da crise.

A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa — declarou Fachin, ao defender medidas para fortalecer as regras internas e modernizar o sistema de Justiça.

Fachin também solicitou informações a Mendonça, Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobre as circunstâncias do relatório da PF e as medidas tomadas durante a investigação. A crise atual representa um dos momentos mais delicados da gestão de Fachin, que precisa garantir a independência dos ministros enquanto busca uma solução para evitar que o conflito entre Mendonça e Moraes aumente a pressão sobre o Supremo.

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