Os Estados Unidos e a China estão avançando em discussões para estabelecer um mecanismo de comércio que permita a redução de tarifas sobre cerca de US$30 bilhões em produtos. A iniciativa visa facilitar a troca de bens não sensíveis entre os dois países, sem comprometer a segurança nacional.
O conceito de um 'Conselho de Comércio' foi introduzido pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em março, como uma proposta a ser discutida na cúpula entre o presidente Donald Trump e o presidente Xi Jinping. Embora os detalhes ainda sejam incertos, uma mudança significativa em relação a negociações anteriores é evidente: os EUA não estão mais exigindo que a China altere seu modelo econômico estatal.
Em vez disso, o foco está em estabelecer metas comerciais numéricas em setores não estratégicos, mantendo tarifas e controles de exportação sobre tecnologias sensíveis. Greer comentou que a abordagem não visa mudar a forma como a China governa sua economia, mas sim otimizar o comércio entre os dois países para alcançar um equilíbrio.
Recentemente, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, se reuniram para discutir as propostas econômicas que serão apresentadas na cúpula em Pequim. Embora não tenham divulgado detalhes sobre a reunião, fontes indicam que um acordo de redução de tarifas de US$30 bilhões por lado é esperado.
A ex-negociadora Wendy Cutler afirmou que ambos os lados estão convergindo em torno de uma cesta de mercadorias que pode variar de US$30 bilhões a US$50 bilhões para a redução de tarifas. Ela destacou que a parte não sensível do comércio representa uma fração menor do total, sugerindo que o Conselho de Comércio pode começar com esses itens.
Os dados do Departamento do Censo dos EUA mostram que o comércio bilateral caiu 29%, de US$582 bilhões em 2024 para US$415 bilhões em 2025, com o déficit comercial dos EUA atingindo seu menor nível em duas décadas. O escritório do Representante Comercial dos EUA e o Tesouro não comentaram sobre o mecanismo antes da cúpula.
A China, por sua vez, não se referiu ao termo 'Conselho de Comércio', mas mencionou a intenção de explorar mecanismos para expandir a cooperação econômica. As tarifas sobre produtos de energia e agrícolas dos EUA estão em pauta, com a China mantendo tarifas adicionais sobre várias importações.
Trump e Xi Jinping se encontrarão em Busan, na Coreia do Sul, para discutir esses assuntos.