Os Estados Unidos organizaram uma reunião com aliados na sede da ONU, em Nova York, com o objetivo de derrubar uma resolução que, anualmente, recebe apoio majoritário entre os 193 membros da organização contra o embargo a Cuba.
O evento, intitulado 'Cuba Livre: A Opressão que Havana Esconde', não incluiu o Brasil entre os convidados. A delegação cubana protestou após o término do evento, enquanto um representante brasileiro acompanhou os desdobramentos.
Tradicionalmente, as delegações são informadas sobre esses eventos para decidir se enviam representantes, mas essa prática não foi seguida desta vez, apesar da transmissão ao vivo no site da ONU.
José Daniel Ferrer, um opositor cubano que discursou no evento, afirmou que apenas países dispostos a debater a resolução foram convidados, excluindo o Brasil. O Departamento de Estado não respondeu a solicitações de informações sobre os países convidados.
Ferrer, que foi libertado após anos de prisão, destacou que o evento tinha como objetivo demonstrar que o problema de Cuba não é o embargo, mas a administração do regime comunista. A Assembleia Geral da ONU votará na próxima semana sobre a resolução que pede o fim do embargo.
Desde 1992, a resolução tem recebido apoio majoritário, mas no último ano, a quantidade de votos favoráveis diminuiu. Os EUA buscam reduzir o apoio à resolução para criar uma derrota discursiva para Cuba.
Historicamente, o Brasil vota a favor da resolução, exceto em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro. Os EUA, que sempre votam contra, se abstiveram em 2016, durante uma rara aproximação com Cuba.
A missão cubana criticou o evento, alegando que foi uma tentativa de Washington de manipular a realidade. O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, respondeu ironizando as manifestações cubanas.
Desde o início do segundo governo Trump, a pressão econômica sobre Cuba aumentou, gerando expectativas entre os cubanos na diáspora de que isso possa levar a mudanças no regime.
Fonte: Noticiasaominuto