Um novo estudo científico revelou que 14 proteínas presentes no sangue podem prever o câncer de pulmão com até cinco anos de antecedência. A pesquisa, apoiada por instituições britânicas, busca ampliar o rastreamento da doença, que atualmente se concentra em pessoas com mais de 50 anos e que fumaram.
O trabalho foi realizado por uma equipe do Centro de Pesquisa Biomédica do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Cuidados da UCLH, utilizando um método baseado em aprendizado de máquina. Os pesquisadores analisaram dados de proteínas do plasma sanguíneo de mais de 48 mil participantes do UK Biobank, com o objetivo de identificar uma assinatura de inflamação associada ao câncer.
Os resultados foram publicados na revista Cell e mostraram que a assinatura proteica foi validada em oito conjuntos de dados globais, evidenciando sua eficácia em pacientes que desenvolveram a doença posteriormente, incluindo não fumantes. A pesquisa indica que o sinal biológico identificado não é proveniente do tumor, mas de um pulmão inflamado antes do surgimento do câncer.
Tej Pandya, estudante de doutorado da UCL e cientista visitante no Instituto Francis Crick, destacou a importância do estudo, afirmando que ele representa uma prova de conceito para o uso futuro dessas assinaturas na prevenção do câncer de pulmão. Os cientistas também observaram que a inflamação pré-patológica foi elevada em indivíduos que desenvolveram outras complicações pulmonares.
A pesquisa sugere que a exposição à poluição do ar pode estimular o sistema imunológico a liberar interleucina-1 beta, um sinal inflamatório que pode levar ao desenvolvimento de células cancerígenas. Testes em camundongos mostraram que bloquear essa interleucina pode desacelerar a formação inicial de tumores.
Com esses achados, os pesquisadores acreditam que a medicina poderá, no futuro, oferecer terapias preventivas antes que o câncer de pulmão se instale.