Nos dias seguintes à morte de Abu-Bilal al-Minuki na Nigéria, o Estado Islâmico (ISIS) intensificou seus ataques na África, alegando ter matado 53 pessoas no continente. As informações foram divulgadas em comunicados do grupo em canais fechados de redes sociais, como Telegram e X.
A morte de al-Minuki, considerado o número 2 do ISIS, foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele descreveu o terrorista como o 'mais ativo do mundo'. A operação que resultou na morte de al-Minuki contou com a participação de forças nigerianas.
Com a queda do ISIS no Oriente Médio e a morte de seus líderes, o grupo passou a atuar de forma mais descentralizada, migrando sua base de operações para a África. Atualmente, acredita-se que Abu Hafs al-Hashimi al-Qurashi seja o novo líder do ISIS, tendo assumido em 2023.
O ISIS afirmou que, entre os dias 16 e 18 de maio, 57 pessoas foram assassinadas em suas ações, com 53 mortes concentradas em três países africanos: Nigéria, República Democrática do Congo (RDC), Somália e Moçambique. Moçambique foi o país mais afetado, com 26 membros de uma milícia local mortos em uma única operação.
Na RDC, 18 pessoas foram mortas em ataques realizados entre os dias 17 e 18 de maio, todas cristãs. Apesar de os recentes ataques coincidirem com a morte de al-Minuki, eles refletem uma reorganização do grupo.
Após a destruição de seu império no Oriente Médio entre 2017 e 2019, o ISIS concentrou suas atividades na África, especialmente na região do Sahel. O último relatório do Global Terrorism Index 2026 aponta que, no último ano, 5.582 pessoas foram mortas em ataques terroristas globalmente, com a região do Sahel concentrando mais da metade dessas mortes.
A instabilidade na região, caracterizada por fraca governança e tensões étnicas, criou um ambiente propício para a atuação do ISIS, que continua a ser a organização que mais mata no mundo, apesar das derrotas enfrentadas no Oriente Médio.